James joyce e o elemento tempo na narrativa

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO DEPARTAMENTO DE LITERATURA E LÍNGUAS ESTRANGEIRAS - DLLE DISCIP.: Literatura Ocidental II– LLE 7022 / 2012/2 Profª Mariana Almeida. Aluna: Geani Vieira João Pereira

James Joyce e o elemento Tempo na narrativa. Neste breve ensaio sobre os dois primeiros capítulos de Um retrato do artista quando jovem de James Joyce,traduzido por Bernardina da Silveira, apresentarei minhas impressões sobre a leitura do romance a partir de trechos que me intrigaram e me colocaram na história e falarei principalmente sobre o elemento Tempo da narrativa: como esse elemento está ligado às falas do narrador e à idade psicológica do personagem principal, Stephen Dedalus.
“Era uma vez e uma vez muito boa mesmo uma vaquinha-mu que vinhaandando pela estrada encontrou um garotinho engrachadinho chamado bebê tico-taco.”(cap. I)

Desde a primeira página do livro fiquei, por diversas vezes, intrigada com o narrador e me perguntava: quem é esse narrador? É uma terceira pessoa ou é o próprio personagem, Stephen Dedalus, quem conta a história? Na medida em que avançava na leitura ia percebendo que o narrador usava uma maneira muitocuriosa para se expressar e percebi isso logo no primeiro parágrafo com a narração da vaquinha-Mu. Fui observando que o tom da narrativa, a fluência e até mesmo a escolha das palavras parecia estar diretamente relacionada à idade psicológica de Stephen. Em muitos momentos da narração no início do primeiro capítulo a voz do narrador soa como a fala

de uma criança; O narrador se aproxima tanto dopersonagem que traz ao leitor a impressão de que ambos sejam um só como no trecho:
“Não era bonito falar assim. Sua mãe lhe tinha dito para não falar no colégio com meninos mal-educados. Que mãe bonita!(...) Ela era uma mãe bonita mas não era tão bonita quando chorava...”

Parece que não é um narrador qualquer que está ali, é alguém que conhece Stephen muito bem e se funde a ele em seuspensamentos. Enfim, o trecho acima só se sabe que são pessoas diferentes, narrador e Stephen, através do uso do pronome “sua” em vez de “minha”. Num outro momento quando Stephen já está mais velho, a maneira como o narrador se comporta e as palavras que escolhe, mudam drasticamente e uma passagem do livro que representou essa mudança muito claramente foi a frustração que o jovem sentiu depois de ter gastotodo o dinheiro que havia recebido por um prêmio e uma bolsa de estudos. A fala retirada do livro, a seguir, não é uma fala de Stephen propriamente dita, mas representa um pensamento seu traduzido mais uma vez pelo narrador:
“Como fora tolo em seus objetivos! Tentara construir um quebra-mar de ordem e elegância contra a maré sórdida da vida sem ele e represar, por meio de regras de conduta ebenefícios vigentes e novas relações filiais, a recorrência poderosa das marés em seu íntimo. Inútil.”(p. 108)

A força com que o narrador expressa os sentimentos de Stephen, me levou a enxergar o personagem não mais como um “menininho engrachadinho”, mas com um jovem tendo sua primeira frustração e percebendo que vida de adulto não é fácil. A fluência muda, as palavras são mais rebuscadas, osconflitos se intensificam e o que já era difícil fica ainda mais dramático quando Stephen se frustra no campo amoroso; O trecho “(...) Nada se agitava dentro de sua alma a não ser um desejo frio e cruel e sem amor” , traduz essa frustração já no segundo capítulo durante uma conversa numa viajem que fizera com o pai. A questão do Tempo na narrativa é intensa e o autor parece abusar do leitor aotransportá-lo de um lugar para outro, entre o presente e o passado, de maneira desordenada e, muitas vezes, bruscas, na intenção de fazê-lo penetrar na mente do

personagem acompanhando seus conflitos mais íntimos. No primeiro capítulo isso acontece muito como no trecho onde Stephen está na enfermaria e começa a delirar:
Como estava esmaecida a luz na janela! Mas era bonito. O fogo se elevava e...
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