Itaquera

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 20 (4987 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 21 de março de 2014
Ler documento completo
Amostra do texto
Artigo

A via proteolítica dependente
de ubiquitina / proteassoma
PA U L A

Resumo
Nas células eucariotas a principal via de
degradação de proteínas de semi-vida curta é não lisossomal e é dependente de ATP e de ubiquitina. Proteínas
que regulam determinadas funções e que por isso existem por curtos períodos de tempo, proteínas danificadas, ou proteínas com erros de síntese são marcadaspara degradação através da ligação de cadeias de poli-

Introdução
A existência de degradação das proteínas intracelulares foi sugerida por Rudolf Schoenheimer nos anos 30 (1). Em
1953 surge uma publicação que mostra
que a proteólise intracelular é dependente de energia metabólica (2). Nos
anos 70 tornou-se evidente que a degradação de proteínas intracelulares é
altamente selectiva e estáenvolvida na
regulação da concentração de certos
enzimas (3). De início foi difícil de compreender a necessidade da proteólise
intracelular, uma vez que o que estava
em causa era a hidrólise de ligações
peptídicas das proteínas, que se pensava serem moléculas estáveis. Hoje em
dia é evidente que o controlo do nível de
determinadas proteínas no interior das
células durante certos processoscelulares, bem como a eliminação de proteínas com erros de síntese, proteínas não
funcionais e polipéptidos desnaturados,
cuja acumulação poderia tornar-se tóxica, só pode ocorrer se existir proteólise
selectiva. A descoberta da via proteolítica dependente de ubiquitina veio revolucionar a forma de olhar a degradação
de proteínas intracelulares.

C.

R A M O S *

ubiquitina. As proteínaspoli-ubiquitiladas são reconhecidas e degradadas pelo proteassoma 26S. A via proteolítica dependente de ubiquitina funciona no citoplasma e no núcleo das células, sendo também
responsável pela degradação de proteínas associadas ao
retículo endoplasmático, após o seu o retro-transporte
para o citoplasma.

A ubiquitina foi descoberta em 1975
(4). Isolada a partir do timo, na altura
foi-lheatribuída a função de hormona
capaz de induzir diferenciação dos linfócitos B. Dois anos mais tarde, é descrita como associada à histona 2A (5). O
terminal C da ubiquitina encontrava-se
ligado ao grupo e da cadeia lateral da lisina 119 da histona 2A através de uma
ligação isopeptídica. A relação da ubiquitina com a proteólise intracelular só
viria a ser publicada em 1980, resultante dotrabalho do professor Avram Hershko (Instituto de Tecnologia de Haifa,
Israel) que no ano lectivo de 1977/78 se
encontrava de sabática no laboratório
de Irwin Rose (Fox Chase Cancer Center em Filadélfia) juntamente com Aaron
Ciechanover, na altura seu estudante de
doutoramento. Trabalho que valeu a
estes três investigadores o prémio Nobel
da Química 2004.
Avram Hershko desde o tempo do seu
pósdoutoramento (1969-1971) estava
interessado em entender os processos
que regulavam a concentração da tirosina-aminotransferase. Como naquele
tempo um assunto muito estudado era a
regulação da síntese das proteínas,
Hershko, tentando evitar uma aborda-

gem tão competitiva, decidiu estudar a
forma como este enzima era degradado.
Tomando vantagem do sistema proteolítico dependente de ATPanteriormente
identificado em extractos de reticulócitos por Etlinger e Goldberg (6), Hershko
e Ciechanover resolveram analisar bioquimicamente este sistema. Começaram por separar as proteínas do lisado
em duas fracções: a fracção de proteínas que não adsorvia a uma resina de
DEAE-celulose (fracção 1) e a fracção

das proteínas adsorvidas à resina eluídas com cloreto de sódio (fracção 2).Curiosamente, a fracção 2 não apresentava praticamente actividade proteolítica
dependente de ATP quando comparada
com os lisados iniciais. Em estudos de
reconstituição, ou seja, quando a fracção 1 era adicionada à fracção 2, observava-se o restabelecimento da actividade proteolítica dependente de ATP.
O componente responsável pelo restabelecimento da actividade era uma proteína termoestável de...