Irmandades

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  • Publicado : 11 de julho de 2012
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IRMANDADES LEIGAS EM MINAS GERAIS COLONIAL.

É notório quando passeamos pelas cidades históricas de Minas Gerais nos depararmos com um grande número de igrejas. Aí, interrogamos como e por quê tantas igrejas teriam sido erguidas nestas cidades, relativamente pequenas para este contingente de tempos.
Entretanto, pesquisando o significado destas construções, nos arremeteremos noséculo XVIII, em Minas Gerais, região onde se aflorou o segmento religioso das confrarias e das irmandades. Època da construção de tais igrejas, quando essas se tornaram o centro dos encontros da população local, satisfazendo suas tendências sociais e ecumênicas, além de atender aos próprios interesses da população. Mesmo os grupos de cativos formavam irmandades, e viam nessas uma forma de estareminseridos na sociedade dos brancos, e agirem como "criaturas humanas".
As irmandades leigas conseguiram no setecentos obter esta pujança, porque o Estado absolutista português proibia a entrada e a fixação de ordens religiosas seculares e regulares no território colonial. Desse modo, as confrarias e irmandades leigas constituíram o meio responsável pela contratação de religiosos para a políticade ofícios sacros, bem como pela construção dos templos mineiros do século XVIII.
As irmandades apresentavam-se como organismos gerados e conduzidos pelas próprias forças locais, com o respaldo de serem representações religiosas. A partir daí, o Estado procura canalizar estas forças em seu favor, moldando suas atuações. O Estado vai articular sua política junto a estas associações,promovendo uma união entre a política do Estado e as sociedades pertencentes a cada agremiação. Assim, o Estado não só admitiu, como também foi ele próprio o responsável pela fixação de ordens religiosas em Minas Gerais.
A Igreja oficial, que pela legislação portuguesa estava inapta a constituir o seu enclave eclesiástico na colônia, viu nas irmandades um modo de consolidar sua égide e submeter apopulação a seus procedimentos católicos, aceitando e se submetendo à vontade das confrarias, até mesmo adequando-se ao sincretismo de algumas irmandades, como a do Rosário dos Pretos e das Mercês. Mas, nas entrelinhas, a igreja apropriava-se dessas posturas religiosas e ditava as regras desse jogo de poder, conseguindo sobrepor a sua teocracia às irmandades.
As associações eramconstituídas por todas as camadas da sociedade, das mais elevadas - como a do Santíssimo Sacramento - às camadas da população dominada, formada pelos cativos, que tinham nas confrarias um elo de ligação com as sociedades dos dominadores e um meio de se unirem enquanto grupos étnicos, contra os abusos do sistema escravocrata.
As irmandades mineiras do setecentos surgiram pela necessidade das pessoas deterem apoio mútuo e solidariedade, formando instituições de ajuda para os indivíduos a que à elas pertencessem , em um instante que o Estado, ainda não fazia-se presente como instrumento jurídico e condutor. Desta maneira, a população encontrou nas irmandades o esteio espiritual e a ajuda material e social de que tanto necessitava. Nessa perspectiva, as irmandades leigas não pouparam recursospara ostentar sua posição dentro da sociedade. Estas, então, edificam igrejas para demonstrar devoção aos santos e reforçar sua condição de status social dentro da comunidade.
Para a Metrópole a sociedade deveria organizar-se tendo como exemplo a dominação colonial; a ordem social, desse modo, preservaria e reforçaria os interesses da Coroa e dos colonos. Através dessa premissa inicial,observamos que a sociedade colonial não poderia ser dissociada do ponto de vista das estratificações sociais. A estrutura econômico-social da colônia estava consolidada e sustentada pelo modo de produção escravista, onde o negro é submetido ao dominador, e é a "mola propulsora" desse modo de produção. Mas a ordem estamental, também, é consoante dentro dos mesmos grupos, onde a ascensão financeira...
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