Introdução à ecologia

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  • Publicado : 20 de abril de 2010
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INTRODUÇÃO À ECOLOGIA

A idéia de que a Terra é viva pode ser tão velha quanto a humanidade. Os antigos gregos deram-lhe o poderoso nome de Gaia e tinham-na por deusa. Antes do século XIX, até, mesmo os cientistas sentiam-se confortáveis com a noção de uma Terra viva. Segundo o historiador D. B. Mclntyre (1963), James Hutton, normalmente conhecido como o pai da geologia, disse numa palestrapara a Sociedade Real de Edimburgo na década de 1790 que considerava a Terra um super organismo e que seu estudo apropriado seria através da fisiologia. Hutton foi mais adiante e fez a analogia entre a circulação do sangue, descoberta por Harvey, e a circulação dos elementos nutrientes da Terra, e a forma como o sol destila água dos oceanos para que torne a cair como chuva e refresque a terra.
Essavisão holística de nosso planeta não persistiu no século seguinte. A ciência estava se desenvolvendo rapidamente e logo se fragmentou numa coletânea de profissões quase independentes. Tornou-se a província do especialista, e pouco de bom se podia dizer acerca do raciocínio interdisciplinar. Não se podia fugir de tal introspecção. Havia tanta informação a ser coletada e selecionada! Compreender omundo era tarefa tão difícil quanto montar um quebra-cabeça do tamanho do planeta. Era fácil demais perder a noção da figura enquanto se procurava e separava as peças.
Quando, há alguns anos, vimos fotografias da Terra tiradas do espaço, tivemos um vislumbre do que estávamos tentando modelar. Aquela visão de estonteante beleza, aquela esfera totalmente azul e branco mexeu com todos nós, nãoimporta que agora seja apenas um clichê visual. A noção de realidade vem de compararmos a imagem mental que temos do mundo com aquela que percebemos através de nossos sentidos. É por isso que a visão que os astronautas tiveram da Terra foi tão perturbadora. Mostrou-nos a que distância que estávamos afastados da realidade.
A Terra também foi vista do espaço pelos olhos mais discernentes dosinstrumentos, e foi esta ótica que confirmou a visão que James Hutton teve de um planeta vivo. Vista à luz infravermelha, a Terra é uma anomalia estranha e maravilhosa entre os outros planetas do sistema solar. Nossa atmosfera, o ar que respiramos, mostrou-se escandalosamente fora de equilíbrio, quimicamente falando. É como a mistura de gases que penetra no coletor de um motor de combustão interna, ou seja,hidrocarbonetos e oxigênio misturados, enquanto nossos parceiros mortos Marte e Vênus têm atmosferas de gases exauridos por combustão.
A composição não ortodoxa da atmosfera emite um sinal tão forte na faixa infravermelha que poderia ser reconhecido por uma espaçonave a grande distância do sistema solar. As informações que ele transporta são evidência à primeira vista da presença de vida. Porém,mais do que isso, se a atmosfera instável da Terra foi capaz de persistir e não se tratava de um evento casual, então isto significaria que o planeta está vivo - pelo menos até o ponto em que compartilha com outros organismos vivos a maravilhosa propriedade da homeostase, a capacidade de controlar sua composição química e se manter bem quando o ambiente externo está mudando.
Quando, baseado nessaevidência, eu trouxe novamente à baila a visão de que nos encontrávamos sobre um super organismo - e não uma mera bola de pedra (Lovelock, 1972; 1979) -, o argumento não foi bem recebido. Muitos cientistas o ignoraram ou criticaram sobre a base de que não era necessário explicar os fatos da Terra. Conforme disse o geólogo H. D. Holland (1 984, p. 539): “Vivemos numa Terra que é o melhor dos mundossomente para aqueles que estão bem adaptados ao seu estado vigente". O biólogo Ford Doolittle (1981) disse que para manter a Terra em estado constante favorável à vida precisaríamos prever e planejar, e que nenhum estado desse tipo conseguiria evoluir através da seleção natural. Em suma, disseram os cientistas, a idéia era teleológica e intestável. Dois cientistas, entretanto, pensaram de forma...
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