Instrumentalidade

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Na trajetória histórica do Serviço Social, podemos
identifi car várias correntes que discutema questão da sua instrumentalidade, que trazem consigo um corpo conceitual específi co que dá a esse tema um determinado signifi cado. Entendemos por instrumentalidade a concepção desenvolvida
por Guerra (2000) que, a partir de uma leitura lukacsiana da obra de Marx, constrói o debate sobre ainstrumentalidade do Serviço Social, compreendendo-a em três níveis: no que diz respeito à sua funcionalidade ao projeto reformista da burguesia; no que se refere à sua peculiaridade operatória (aspecto instrumental-operativo); e como uma mediação que permite a passagem das análises universais às singularidades da intervenção profi ssional.
Desde o período em que o Serviço Social ainda fundava sua base delegitimidade na esfera
religiosa, passando pela sua profi ssionalização e
os momentos históricos que a constituíram, a dimensão
técnica-instrumental sempre teve um lugar
de destaque, seja do ponto de vista do afi rmar deliberadamente
a necessidade de consolidação de
um instrumental técnico-operativo “específi co” do
Serviço Social (falamos aqui em especial da tradição
norte-americana, queteve forte infl uência sobre
o Serviço Social brasileiro, sobretudo entre os
anos 40 e 60), seja no sentido de afi rmar o Serviço
Social como um conjunto de técnicas e instrumentais
– em outras palavras, uma tecnologia social1.
Em outros momentos, no sentido de atribuir à instrumentalidade
do Serviço Social um estatuto de
subalternidade diante das demais dimensões que
compõem a dimensãohistórica da profi ssão2.
Esse debate é apenas introdutório para localizarmos
as razões que fazem da instrumentalidade
do Serviço Social uma questão tão importante à
profi ssão, digna de um real aprofundamento teórico.
Não nos caberá neste artigo aprofundar, do
ponto de vista teórico-fi losófi co, o debate sobre a
1 Essa visão pode ser identifi cada como uma componente da corrente
denominadapor Netto (2004) de “modernização conservadora”,
hegemônica no cenário profi ssional brasileiro durante o período
da ditadura militar e do movimento de renovação do Serviço Social
no Brasil.
2 Novamente nos reportamos ao chamado Movimento de Reconceituação
do Serviço Social, em que algumas correntes tentavam
atribuir ao Serviço Social o status de Ciência, questionando sua dimensãointerventiva.
instrumentalidade. Porém, não é possível falar seriamente
sobre a questão se não situamos o debate
em alguns de seus fundamentos científi cos mais
elementares – caso contrário, caímos nas “teias”
do senso comum.
Ora, o debate sobre a instrumentalidade do
Serviço Social percorre a história da profi ssão em
razão da própria natureza desta: o Serviço Social
se constitui como profi ssãono momento histórico
em que os setores dominantes da sociedade (Estado
e empresariado) começam a intervir, de forma
contínua e sistemática, nas conseqüências da
“questão social”, através, sobretudo, das chamadas
políticas sociais. Segundo Carvalho & Iamamoto
(2005), o Serviço Social é requisitado pelas
complexas estruturas do Estado e das empresas,
de modo a promover o controle e areprodução
(material e ideológica) das classes subalternas, em
um momento histórico em que os confl itos entre
as classes sociais se intensifi cam, gerando diversos
“problemas sociais” que tendem pôr a ordem
capitalista em xeque (Netto, 2005).
Torna-se mister situar essa questão, pois
ela revela um dado que é crucial para o debate
sobre a instrumentalidade: o Serviço Social surge
na históriacomo uma profi ssão fundamentalmente
interventiva, isto é, que visa produzir mudanças no
cotidiano da vida social das populações atendidas
– os usuários do Serviço Social. Assim, a dimensão
prática (técnico-operativa) tende a ser objeto privilegiado
de estudos no âmbito da profi ssão.
Mais ainda: no momento de sua emergência,
o Serviço Social atua nas políticas sociais com
funções...
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