Inflação inercial

Páginas: 23 (5741 palavras) Publicado: 4 de maio de 2011
O Plano Real: um balanço crítico (1994-1998)
 
 
Francisco Luiz Corsi
Resumo: O artigo consiste em uma análise crítica do Plano Real, buscando mostrar que a política econômica de FHC acabou inviabilizando um crescimento sustentado da economia e assim agravou os problemas sociais do país. Procuramos situar o Plano real no contexto de mundialização do capital. Também discutimos a questão dacrise fiscal do Estado brasileiro, visando desmistificar a concepção segundo a qual ela seria a raiz de todos os problemas da economia brasileira.
Palavras–chave: mundialização do capital, crise fiscal, desenvolvimento
1. Introdução
O presente artigo busca realizar uma análise crítica da política econômica do primeiro governo FHC. O ponto de partida da reflexão é a mundialização do capital,pois programas de estabilização baseados em ancoras cambiais e na abertura da economia nacional, como o Plano Real, só podem ser entendidos no contexto das profundas transformações em curso na economia mundial que caracterizam as últimas duas décadas. Um contexto marcado, de um lado, por baixos índices de crescimento econômico, recorrentes crises e queda da inflação e, de outro lado, por umintenso processo de internacionalização do capital, abertura das economias nacionais, profundas alterações na relação entre o trabalho e o capital e vigorosa mudança tecnológica.
A questão que se coloca para inúmeros países é maneira de eles se integrarem nesse processo de transformações estruturais. Criticamos aqui a estratégia de integração perseguida por FHC, considerada equivocada por nós, poiscriou uma armadilha para economia brasileira que inviabiliza o crescimento econômico mais sustentado e não contribui para resolver os graves problemas sociais do país. Pelo contrário, tende a agravá-los. Além disso, torna o país demasiadamente vulnerável às oscilações da economia mundial. Partimos da concepção segundo a qual a globalização do capital não é um processo inexorável ao qual os paísesdevam a ela adequar-se de acordo com os parâmetros estabelecidos pelas grandes empresas, bancos, fundos de pensão, fundos mútuos etc. A creditamos existir uma margem de manobra que permita privilegiar os interesses da maioria da população brasileira.
2. A mundialização do capital e os países emergentes
Desde meados dos anos 1970, o capitalismo entrou em uma fase de relativa estagnaçãoeconômica, cuja expressão maior são as baixas taxas de crescimento e a persistente queda dos investimentos, embora observemos uma recuperação da lucratividade das empresas a partir de meados da década de 1980 (Chesnais, 1998, p. 17-18). O capitalismo vive uma crise crônica de superprodução, sendo a valorização do capital sustentada, em boa medida, pela elevação do endividamento público e privado. Aresposta que as grandes empresas, os grandes bancos, os fundos de investimento e pensão e importantes governos deram à crise foi, de um lado, buscar espaços mais amplos e desregulamentados de acumulação e, de outro lado, reestruturar e reorganizar a produção. A constituição de oligopólios internacionais em importantes setores, a abertura das economias nacionais, a formação de mercados regionais, autilização intensa de novas tecnologias, a organização de processos produtivos mais flexíveis, a redução da força de trabalho empregada, a introdução de vínculos variados e relativamente frouxos entre o trabalhador e a empresa, a realocação espacial entre alguns países de vários segmentos produtivos e a marginalização de inúmeras regiões caracterizam o atual momento.
Nesse contexto, abriu-se espaçopara a preponderância de um capital financeiro rentista com a consolidação de um mercado de câmbio, de capitais e de títulos de âmbito mundial (Chesnais, 1996). Esse capital rentista, inchado sistematicamente pelos capitais formados na produção, mas que não encontram aí condições favoráveis de valorização, é muito sensível a qualquer alteração nas variáveis reais da economia. O incremento da...
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