Indisciplina na escola

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1002 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 26 de fevereiro de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
Conhecimentos pedagógicos : 2 pontos
Indisciplina na Escola: Alternativas teóricas e práticas.Paginas: 1 a 23
Autor: Julio Groppa Aquino São Paulo, 1997.
SINOPSE:
Na tentativa de melhor elucidar a problemática disciplinar na escola, este livro reúne psicólogo, filósofos, sociólogos e pedagogos que buscam enfrentar concretamente o problema, apresentando abordagens atualizadas e propondosoluções criativas para compreensão e manejo da indisciplina escolar.
Indisciplina e Violência nas Escolas O Problema Pela primeira vez em nossa história, lidamos, no Brasil, com nossa face violenta. Este tema informa a fala das pessoas no cotidiano, aparece espetacularizado na mídia. Permeia os discursos políticos, provoca ações de políticas públicas. Produzem pesquisas, debates.
Exigem tomadas deposições. Parece que nos transborda, provocando a sensação de que a violência tomou conta do mundo.
Lidamos com a quebra de um mito, ou, segundo Marilena Chauí, de um preconceito muito brasileiro, que nos informa que somos não violentos, pacíficos e ordeiros por natureza. Este seria, para a autora, um dos preconceitos profundos da nossa sociedade:
“Um dos preconceitos mais arraigados em nossasociedade é o de que “o povo brasileiro é pacífico e não violento por natureza”, preconceito cuja origem é antiqüíssima, datando da época da descoberta da América, quando os descobridores julgavam haver encontrado o Paraíso Terrestre e descreveram as novas terras como primavera eterna e habitadas por homens e mulheres em estado de inocência. É dessa “Visão do Paraíso” que provém a imagem do Brasil como“país abençoado por Deus” e do povo brasileiro como cordial, generoso, pacífico, sem preconceitos de classe, raça e credo. Diante dessa imagem, como encarar a violência real existente no país? Exatamente não a encarando, mas absorvendo-a no preconceito da não violência”. Aparentemente estaríamos vivendo um momento histórico em que, pela primeira vez, encaramos a face violenta da sociedade, com seuspreconceitos de classe, de raça, com sua violência estrutural. Os antigos discursos, que remetem os atos violentos à exceção, ao louco, ao doente, ao “ogro”, parecem não mais
funcionar. Estes atos seriam reveladores de um profundo mal-estar social.
Há dimensões da violência que deixam de ser invisíveis, há tipos de vitimização coletiva e individual que começam a ser vistos.
Verifica-se aexistência de conflitos coletivos, sociais, familiares que resultam em respostas violentas. Há um esforço para quebrar o silenciamento que envolve estas questões que não são da vida privada ou secreta – são políticas e públicas.
Uma primeira dificuldade
Há dificuldades em falar sobre a violência. Podemos nos questionar se nossas falas não estarão fracas, inoperantes, insignificantes. Se, neste cenáriode violência tão intensamente apresentada e representada, nossas falas não são inertes, medíocres, banais.
Proponho, para tentar superar o impasse, que este é justamente um dos primeiros efeitos ocasionados pela violência, quando esta deixa de “caber” nos marcos antigos, que nos diziam que esta era uma anomalia, um efeito de uma situação de anomia social, fruto de um desvio, de mentes perturbadas.A violência quebra os discursos que estavam prontos, arranjados, arrumados: instaura um questionamento profundo daquilo que era considerado como nossa “normalidade”. Nos coloca no corpo a corpo. Um poema de Paul Celan2 retrata muito bem o silenciamento provocado pela violência, a dificuldade em representar a catástrofe: “ eles cavavam e não mais ouviam: eles não se tornaram sábios, não inventaramnenhuma canção, ou qualquer tipo de linguagem”. Mesmo com grande esforço e enorme sensação de cansaço, o nosso desafio é tentar inventar novas palavras ou recuperar palavras um pouco esquecidas. Exercitar o olhar informado,
detectar a multidimensionalidade da violência, onde ocorre, como ocorre, a quem envolve e como agir, como reparar os danos. O Contexto O que vemos no mundo? Como...
tracking img