independencia e independencias

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Marynara Flor Brito dos Santos1
DEL PRIORE, Mary. Independência e Independências. In: Uma breve história do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010.
PRIORE, Mary Del. Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo, Especialização na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales(1993) ePós-Doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1996). Atualmente é professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira.
O preço que os portugueses pagavam pelo apoio inglês era alto, e isso implicou em tratados comerciais nos quais D. João previa abertura dos portos. Isso era desastroso para a economia portuguesa, porém o mesmo não pode serdito em relação ao Brasil. Na prática, a nova medida significava a desativação “exclusivo comercial”, mecanismo através do qual a Metrópole impunha preços aos produtos coloniais. É por essas razões que se costuma afirmar que nossa independência teria ocorrido nesse momento, em 1808, e que 1822 teria representado apenas sua consolidação.
No ponto de vista político a Corte teve um efeitoambíguo. Não se tratava de uma simples visita da rainha, ”d.Maria, a louca”, e de d. João e seus demais familiares e lacaios. Implicou na transferência de muitos funcionários régios. Uma vez instalada, a nova Corte deu origem a uma situação inusitada: o Império colonial português passa a ter duas sedes, uma em Lisboa e outra no Rio de janeiro.
A tensa relação entre a elite que era contrária aoretorno de d.João e a que permaneceu em Portugal culminou em 1820. No entanto a dualidade de poder não havia sido extinta: como regente brasileiro ficou d. Pedro e, com ele, segmentos importantes do antigo grupo que havia fugido de Portugal. O alvo da pressão volta-se agora para o regente: em 21 de setembro de 1821, um decreto determina seu retorno imediato. Mas d. Pedro resiste a essas pressões e,a 9 de janeiro de 1822, torna pública sua decisão de permanecer no Brasil. Nesse mesmo mês, a metrópole portuguesa nivela o Rio de Janeiro à condição das demais províncias, gesto a que o regente responde com a expulsão das tropas lusitanas do Rio. As suas cortes, disputam o poder até que em 7 de setembro d. Pedro rompe definitivamente com a antiga pátria-mãe, tornando-se imperador em 12 de outubrodo mesmo ano.
Vista sob esse Ângulo, a independência do Brasil pode ser definida como um movimento bastante elitista, quase uma disputa entre aristocratas portugueses. Entre 1820 e 1822, as elites regionais tiveram dúvidas em relação qual projeto político deveria seguir. A partir de 1821 a tendência era de que a maior parte das classes dominantes coloniais apoiasse o governo português,deixando de obedecer às ordens emitidas pelo Rio de Janeiro.
A posição de d.Pedro era ambígua. O apoio que dava ao movimento constitucionalista era marcado por ressalvas do tipo: “a constituição deve ser digna do meu poder”, e assim por diante. Não é de se estranhar que após 7 de setembro as elites regionais ficassem divididas.
A reengenharia política da independência implicava esvaziar ainfluência das cortes legislativas portuguesas, criando uma similar nacional. A medida deu certo e foi auxiliada por algumas iniciativas recolonizadoras dos constituintes portugueses. A independência pregou peça nas elites. Um não após ser convocada, a Assembleia Constituinte foi dissolvida e o imperador designou um pequeno grupo para redigir uma constituição “digna dele”, ou seja, que lhegarantisse poderes semelhantes aos dos reis absolutistas. Em 1824, partes das elites provinciais encararam a independência como um retrocesso em relação às conquistas da Revolução do porto. Tal descontentamento, porém, não significava a luta pela “restauração”, até porque Portugal também dava uma guinada rumo ao absolutismo.
Nos anos seguintes, o imperador recua e convoca a primeira Assembleia...
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