Imunulogia e a gravidez

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  • Publicado : 23 de março de 2013
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A imunologia e a gravidez
As respostas imunes desempenham um papel importante em vários processos reprodutivos, incluindo a ovulação, a menstruação e o parto. Durante a gravidez, quando uma mulher aloja um feto durante os nove meses de gestação, as respostas imunitárias desempenham um papel muito importante.
O sistema imune é responsável por toda a relação entre o organismo do indivíduo efatores externos, ou agentes agressores, ao seu estado fisiológico normal, como vírus, bactérias, fungos, tumores ou reações inflamatórias. A chave para a função do sistema imunitário é a sua capacidade para distinguir entre as células do corpo (self) e células estranhas (non-self).
Este sistema é então composto por um conjunto de diferentes tipos de células: desde os leucócitos a moléculascomo anticorpos, citoquinas e proteínas do sistema complemento, que circulam pela linfa, no nosso organismo. São os leucócitos que desempenham as mais importantes funções entre elas o recrutamento de outras células para as áreas infetadas, a captura e apresentação do antigénio para as células responsáveis neutralizarem o agente infecioso e também a eliminação de células infetadas. Os leucócitossão produzidos constantemente na medula óssea e podem dividir-se em linfócitos B e T. Apesar de os dois tipos serem produzidos na medula, os linfócitos B são formados na mesma, enquanto que os T apenas amadurecem quando se encontram no timo.
As respostas imunes podem ser classificadas como humorais – respostas diretas realizadas por anticorpos – ou celulares – onde linfócitos T exercem as suasfunções de defesa contra o invasor.
A gestação é um fenómeno único no organismo humano, no que diz respeito ao comportamento do sistema imune. Ela só é possível devido a uma regulação complexa, do ponto de vista imunológico, com o objetivo de desenvolver um estado de tolerância materno-fetal, permitindo a implantação e manutenção do feto, até que haja condições de sobrevivência fora do úteromaterno. Esta “imunomodulação” do organismo tem como fatores envolvidos a influência hormonal sob o sistema imune materno, o reconhecimento das moléculas do complexo major de histocompatibilidade (MHC) paterno (expressas pelo embrião), as citoquinas libertadas no meio, o controlo da citotoxicidade direta das NK uterinas e a atividade das células T regulatórias. (Michelon, et al., 2006) O sistema imuneda grávida deve permitir então a migração das gâmetas masculinos pelo trato reprodutivo feminino até a fertilização do oócito; a migração do zigoto pela trompa de falópio e posterior nidação do blastocisto na cavidade uterina; invasão do trofoblasto, com formação da unidade feto-placentária e, finalmente, crescimento e desenvolvimento do feto até o momento do parto.[1]
Figura 1 – PeterMedawar
Peter Medawar, em 1953, referiu que o embrião comporta-se, no organismo materno, como um enxerto semi-alogénico, estando, portanto, vulnerável às teorias de rejeição e tolerância imunológica. O feto contém metade do material genético da mãe e, outra metade, do pai, sendo, então, estranho ao sistema imune materno, daí o termo proposto por Peter Medawar. (Medawar, P.B., 1953)
A gestação é,do ponto de vista imunológico, uma exceção, já que não é disparada nenhuma resposta imune quer em termos de rejeição do feto, como acontece no caso de transplantes de órgãos com material genético de outro indivíduo; quer em termos de tolerância, como ocorre com os tumores, em que o organismo bloqueia a proliferação celular. Por vezes, ocorrem desvios na resposta imune caraterística da gestação,levando a complicações e, até mesmo, à infertilidade.
O estudo da imunologia da reprodução é cada vez mais importante na compreensão e resolução de casos obstétricos complexos, podendo oferecer investigação, diagnósticos e terapia específicos. (Michelon, et al., 2006)


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