Implatacao de programas de saude na policia

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1 INTRODUÇÃO


No decorrer do agitado século XX, a produção de conhecimentos a respeito de saúde e trabalho foi feita a partir de uma perspectiva de análise e prospecção do crescimento econômico e social e suas diferentes formas de proteção social vinculadas ao emprego formal. Por muitas décadas as políticas na área da Saúde do Trabalhador, estiveramvoltadas, preponderantemente, para situações de riscos sociais, garantidas através de um seguro social contributivo, caracterizando-se como uma ação indenizatória de reparação das sequelas decorrentes do trabalho, perpetuando assim, o enfoque do risco socialmente aceitável sobre a saúde do trabalhador.
As relações de saúde e trabalho desde muito antes, ainda no século XIX, começaram a sofrersignificativas transformações nos seus aspectos conceituais e metodológicos ate hoje, passando pela medicina do trabalho e saúde ocupacional, até chegar à saúde do trabalhador, a qual está inserida na saúde pública, com o papel de “prever o estudo, a prevenção, a assistência e a vigilância aos agravos à saúde relacionados ao trabalho” (BRASIL, 2001).
Em 1990, a Lei Orgânica da Saúderegulamentou dispositivos constitucionais sobre a saúde do trabalhador, na qual a atual Política Nacional de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde está inserida e propõe à redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho por meio de ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de saúde. Suas diretrizes compreendem a atenção integral à saúde, a articulação intra e intersetorial, aconstrução da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST), o apoio a estudos e pesquisas, a capacitação da comunidade na gestão dessas ações.
Entretanto, a realidade se mostra contraditória, apesar de tudo o que a Política Nacional de Saúde do Trabalhador assegura e do esforço de alguns setores e profissionais do serviço para o cumprimento do que está regulamentado.O que se observa são a sobrecarga de trabalho, a falha no controle dos riscos aos quais os trabalhadores estão submetidos e a carência de profissionais formados numa lógica diferenciada de atenção à saúde do trabalhador, devido a um modelo de formação insuficiente, centrado apenas nos aspectos biológicos do processo saúde-doença, restringindo a atuação do profissional de saúde ao cuidado com asestruturas e funções corporais e psíquicas, num processo de fragmentação do sujeito, que consequentemente não levam a processos integrais de reabilitação.
No Brasil, segundo Oliveira (2001), os números de acidentes, mortes, mutilações e doenças com sequelas permanentes revelados pelo Sistema de Previdência, dão conta de que no decorrer de vinte anos, acidentaram-se 23.905.916trabalhadores, resultando em 91.656 mortes, sem contar com as mutilações que culminaram em invalidez total permanente, cujos números são maiores que os de morte. Além do custo humano, estes eventos impõem gastos financeiros aos indivíduos, aos empregadores e à sociedade em geral.
Na concepção de Cardella (1999), as organizações são fontes de agentes impactantes que causam efeitos no meio ambiente e naspessoas. Segundo esse autor, segurança é uma variável de estado dos sistemas vivos, organizações, comunidades e sociedades. Quanto maior a segurança, menor a probabilidade de ocorrência de danos ao homem, ao meio ambiente e ao patrimônio.
O Brasil iniciou sua caminhada pela segurança dos trabalhadores através da implantação, pelo Governo, da Portaria nº 6.514, de 22 dez 1977,que passou a tornar obrigatórios os Serviços de Segurança e Medicina do Trabalho. Com a Constituição Federal da República de 1988, a saúde do trabalhador passou a ser considerada como direito social, garantindo aos trabalhadores a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde e segurança.
No que diz respeito aos policiais, ao se estudar essa classe...
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