Imperativo categorico

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Imperativo categórico
Mauro Celso Destácio

Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal. Eis, em resumo, a fórmula do imperativo categórico, conceito criado pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804).
Por máxima pode-se entender o princípio subjetivo de uma ação, distinto do princípio objetivo, ou seja, da lei prática, válidapara todo ser racional. Embora sofra influência de apetites e inclinações, o ser racional reconheceria no imperativo categórico “aquele [imperativo] que nos representasse uma ação como objetivamente necessária por si mesma, sem relação com qualquer outra finalidade” (Kant, 1984: 124-5).
Todo imperativo se exprime pelo verbo dever, e pode ser hipotético ou categórico. “Os hipotéticos representam anecessidade prática de uma ação possível como meio de alcançar qualquer outra coisa que se quer (ou que é possível que se queira)” (op.cit.: 124). Distingue-se do imperativo categórico porque neste a ação é representada como boa em si, e não como meio para qualquer outra coisa – caso do imperativo hipotético.
Kant expõe quatro exemplos para demonstrar a validade do imperativo categórico:
1)mesmo que uma pessoa desesperada deseje suicidar-se, destruir a própria vida não pode constituir uma máxima que se queira aplicar como lei universal da natureza, já que vai contra qualquer princípio de conservação da vida.
2) uma pessoa se vê forçada, por necessidade, a pedir dinheiro emprestado, porém sabe que não poderá devolver o empréstimo, e assim mesmo promete fazê-lo num prazodeterminado. Tal máxima não pode, no entanto, tornar-se lei universal, posto que ninguém mais acraditaria em qualquer promessa. Nem mesmo o devedor desejaria semelhante lei, que faria inviável qualquer novo pedido de empréstimo.
3) uma terceira pessoa, sabendo que porta talentos ainda não cultivados, vive o seguinte dilema: desenvolver seus dons ou continuar na vida ociosa, dispensando tais habilidades.Opta pelo ócio. Contudo, ela não pode querer, na condição de ser racional, que essa máxima venha a ser lei universal da natureza, posto que os talentos trariam a ela – o mesmo se aplica às demais pessoas – novas possibilidades de melhoria de vida.
4) alguém que vive na prosperidade e ao mesmo tempo vê os outros em dificuldades pode até não querer ajudá-los, mas não pode querer que tal princípiose torne lei universal da natureza – ele pode vir a precisar de auxílio também.
Conforme explica Regis de Castro Andrade (1993: 52), é sob a forma de imperativo categórico que existe a norma moral. “O comando nela [na norma moral] contido assinala a relação entre um dever ser que a razão define objetivamente e os móveis humanos, os quais, por sua constituição subjetiva, não conduzem àrealização daquela finalidade moral. (...) A conduta moral, portanto, é vinculada a uma norma universal.”
É mister, para maior compreensão do conceito de imperativo categórico, fazer distinção entre um mundo sensível, no qual o indivíduo procura a satisfação dos apetites e inclinações (enfim, dos móveis humanos), e um mundo inteligível, “do qual nada mais sabe senão que nesse mundo só dá a lei da razão,e a razão pura, independente da sensibilidade. (...) [O ser racional] não toma a responsabilidade desses apetites e inclinações e não as atribui ao seu verdadeiro eu, isto é, à sua vontade” (Kant, 1984: 158).
Para Kant o bem supremo é a boa vontade, da qual a liberdade é propriedade. O pensador alemão define vontade (que não é outra coisa senão a razão prática) como “a faculdade de escolher sóaquilo que a razão, independentemente da inclinação, reconhece como praticamente necessário, quer dizer, como bom” (op.cit.: 123), ou ainda “a faculdade de se determinar a si mesmo a agir em conformidade com a representação de certas leis” (op.cit.: 134).
Somente sob a idéia de liberdade um ser racional pode ter vontade própria. No que respeita à vontade humana, Kant diz haver um imperativo...
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