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Resumo

A história ambiental do interior do estado de São Paulo, mais especificamente o Planalto
Ocidental, que se inicia a cerca de 200 km a oeste da capital do estado e vai até o rio Paraná, na
fronteira com o Mato Grosso do Sul, com uma área aproximada de 126 mil km , começou a ser
escrita praticamente só no começo do século XX, por força da ocupação das terras impulsionada sobretudopela economia do café.
Os fundamentos da história ambiental, tendo por pressuposto o homem como agente
geológico e o ambiente quaternário, como o ambiente sujeito às transformações decorrentes da
ocupação, correspondem na região, por um lado, à própria história da ocupação, suas fases e suas
concretizações (construção de estradas, abertura de terras para a lavoura, construção decidades,
etc) marcadas por razões socioeconômicas e, por outro, pela natureza do meio físico geológico,
expressa pelas relações existentes entre seus principais componentes: rocha-relevo-solocobertura vegetal clima, caracterizadas na região, predominantemente, por arenitos – colinas –
latossolos/argissolos – florestas – clima tropical a temperado úmido .
São estes fundamentos que podem alicerçaras observações realizadas sobre as
transformações ambientais decorrentes da ocupação. Dos aspectos fundamentais, ocupação e
meio físico, destaca-se, como mecanismo principal, responsável pelas primeiras transformações,
a alteração do balanço hídrico provocado pelo desmatamento drástico da região e a
intensificação do escoamento d’água concentrado, superficial e subterrâneo.
Em cercade 50 anos a região praticamente perdeu um dos componentes primitivos do
meio ambiente natural: o meio biótico, alterando profundamente o balanço hídrico. As
consequentes erosões provocaram o assoreamento dos fundos dos vales, formando depósitos
denominados tecnogênicos que, atualmente, passam por um processo de re-entalhe revelando
suas camadas que contem, da mesma forma que nas formaçõesgeológicas, elementos indicativos
da história desta primeira fase de ocupação.

1.
3 As condições históricas
Um encadeamento de fatores concorreu para a rápida colonização do interior do estado de
São Paulo, desde terras estrangeiras até o mais distante rincão do oeste paulista: a expansão do
consumo e a crescente importação do café pelos Europa e pela América do Norte; o aumento doscapitais dos fazendeiros brasileiros que financiaram a construção de ferrovias; as imigrações de
europeus e asiáticos para trabalhar nas lavouras, assim como de nordestinos; etc. (Brannstrom,
1998). Como disse Monbeig (1984): “Desde o seu início, a marcha para oeste foi um episódio
da expansão da civilização capitalista, nas duas margens do Atlântico. Ambas não cessaram de
sersolidárias”. Mas se o grande impulso inicial foi dado pelo café (Picchia, 1927), também
devem ser considerados nessa colonização o algodão e a pecuária. Os plantadores de algodão
também recebiam importantes subsídios do governo pelo desenvolvimento de novas variedades e
oferta de mão de obra, de imigrantes nordestinos, como para o café (Brannstrom, 1998). Embora
a história do uso do solo não tenhasido a mesma em todo o Planalto Ocidental, com áreas de
usos predominantes diferenciados, de grandes pastagens, culturas de café e algodão; o 4
desmatamento foi comum a todas elas. Na década de 1930, o assim chamado sertão paulista,
como grande espaço continuo, já se restringia a uma faixa de cem a duzentos quilômetros ao
longo do rio Paraná (Monbeig, 1984).
Os primeiros impactosDespertas pela colonização, as condições naturais foram traduzidas pelas ações antrópicas
para as novas condições, não naturais, humanizadas, como as doenças tropicais dos pioneiros
que avançavam sertão a dentro; pelas erosões que selecionavam os solos mais erodíveis, abrindose em ravinas e voçorocas; pelos cursos d’água que, sem capacidade de transportar tantos
sedimentos, acabaram...
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