Ideologia capitalista

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  • Publicado : 9 de maio de 2012
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A essência do capitalismo

Introdução
Muitas vezes ficamos perplexos diante dos inúmeros problemas sociais que encontramos à nossa volta: fome, miséria, falta de moradia, doenças endêmicas, prostituição, violência, marginalidade etc. Também nos impressiona o egoísmo e individualismo, a maneira de viver das pessoas, não se importando umas com as outras, a solidão de muitos, a obsessão pelodinheiro de outros, a busca do TER acima de tudo, a exploração, a corrupção, e assim por diante. A impressão que se tem, freqüentemente, é que as pessoas não existem mais como pessoas e sim como meros objetos. Isto nos deixa confusos e parece ser uma situação sem saída. Parece que a miséria sempre existiu e que se trata de um fenômeno inextinguível. Apela-se, então, para a bondade das pessoas: quesejam caridosas e ajudem aos outros.
Atingimos, desta forma, apenas as conseqüências mas não as causas do problema. Parece que há uma máquina fabricando sempre novos miseráveis, novos “doentes”. Parece que o amor é uma força que nunca consegue se impor, que os homens preferem se odiar. Mas, o que é que gera a miséria? O que é que torna as pessoas obcecadas pelo dinheiro? O que faz com que o egoísmopredomine?
Para compreendermos esta problemática, precisamos ir às causas, precisamos analisar o sistema social e econômico em que vivemos - o sistema capitalista - o seu funcionamento, seus pressupostos e sua essência para verificar se não há relação de causa e efeito.

CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO SISTEMA CAPITALISTA
No sistema capitalista, a busca do LUCRO ocupa o lugar central. É oobjetivo do sistema e sua razão de ser. Sem lucro, não existe capitalismo. O objetivo do sistema não é a pessoa, em primeiro lugar, mas o capital, que deve gerar capital - lucro. Mas o que é o lucro e como é obtido? Apesar de ninguém gostar de reconhecer (especialmente os que dele se nutrem), só é possível conseguir lucro através da exploração do ser humano. De onde mais poderia vir? Direta ouindiretamente, há exploração (do trabalho humano, em última instância). A maioria dos homens (os trabalhadores) são transformados por outros apenas em energia produtiva. Produzem, mas não recebem o que realmente produziram. Recebem uma parcela - o salário - que é a quantia mínima necessária para que subsistam e se reproduzam. Para onde vai o excedente produzido? Para as mãos dos que os empregam - é olucro. Este mecanismo já foi explicado por Marx, no século passado (teoria da mais-valia, em “O Capital”): Se a quantia mínima necessária para sobreviver eqüivale a quatro horas de trabalho diário e se de fato a jornada foi de oito horas, isto significa que quatro horas foram trabalhadas de graça para o empregador. Este excedente (mais-valia) é que é o lucro. Assim sendo, a força de trabalho produz:o salário, mais o excedente. O salário fica com o trabalhador, o excedente é o lucro do patrão que, por conseqüência, aumenta seu capital enriquecendo sempre mais.
Mas, o que permite esta exploração?
A exploração é possível porque existe a PROPRIEDADE PRIVADA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO (mais conhecida como propriedade privada, simplesmente). Os donos são os proprietários dos bens que permitem aprodução de outros bens (indústrias, terras, grande comércio, equipamentos, capital financeiro etc.).Os trabalhadores, como não têm meios de produção e apenas sua força de trabalho, para sobreviverem, só lhes resta venderem sua força de trabalho consoante a lei da oferta e procura. Não têm outro meio de vida senão oferecendo sua mão-de-obra aos donos dos meios de produção. Estes, lhes pagam osalário, por serem os donos. Exemplo (da agricultura): numa determinada fazenda, o dono aluga a terra para dez camponeses; estes, como pagamento, deverão dar a metade da colheita para o dono. Mesmo que o dono da terra não toque nela, poderá tornar-se rico, pois levará cinco colheitas inteiras por ano, pelo simples fato de ser “dono” da terra.
Se a terra pertencesse não a um dono, mas àqueles que nela...
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