Iconografia

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HISTÓRIA DA ARTE COMO HISTÓRIA DAS IMAGENS: A ICONOLOGIA DE ERWIN PANOFSKY
Raquel Quinet Pifano* Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF
raquinet@acessa.com

RESUMO: O objetivo deste texto é refletir sobre o método historiográfico de Erwin Panosfsky e seu conceito de iconologia. O método iconológico realiza a interpretação dos objetos artísticos, arquitetura, pintura ou escultura, apartir da decomposição das imagens e reconstrução de seus percursos no tempo e no espaço chegando ao que o autor chama de “síntese recriativa”. PALAVRAS-CHAVE: Erwin Panofsky – História da Arte – Iconologia. ABSTRACT: The aim of this paper is to reflect on the Erwin Panofsky’s historiographical method and his concept of iconology. The iconological method performs the interpretation of art objects –architecture, painting or sculpture – from the decomposition of images and reconstruction of its paths in space and time getting to what the author calls "re-creative synthesis." KEYWORDS: Erwin Panofsky – Art History – Iconology.

Segundo Argan, “o grande mérito de Erwin Panofsky consiste em ter entendido que, apesar da aparência confusa, o mundo das imagens é um mundo ordenado e que é possívelfazer a história da arte como história das imagens”.1 Considerando a História da Arte uma disciplina, pode-se afirmar, indistinta da História Cultural, Panofsky propôs, a partir do objeto artístico, reconstruir seu contexto histórico e “recriar” todo o processo de elaboração daquela imagem. Tal método foi sistematizado no artigo, hoje muito conhecido do público brasileiro, Iconografia e Iconologia:uma Introdução ao

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Professora Adjunto do Departamento de Artes e Design do Instituto de Artes da UFJF. Doutora em História e Crítica da Arte pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. ARGAN, Giulio Carlo. A História da Arte. In: ______. História da Arte como História da Cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1992,p. 51.

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Fênix – Revista de História e Estudos Culturais Setembro/ Outubro/ Novembro/ Dezembro de 2010 Vol. 7 Ano VII nº 3 ISSN: 1807-6971 Disponível em: www.revistafenix.pro.br

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Estudo da Arte da Renascença.2 Este artigo tornou-se conhecido ao ser publicado em 1939 como “Introducion” em Studies in Iconology: Humanistic Themes in the Art of the Renaissance, Nova York. Quando escreveueste artigo, a publicação de 1939 é uma síntese de um artigo de 19323, ele não apenas já havia produzido obra importante (Idea data de 1924), como já detinha reconhecimento internacional – em 1931, foi convidado a lecionar na Universidade de Nova York e desde então alternou períodos entre Hamburgo e Nova York até seu estabelecimento definitivo nos EUA em 1934. Talvez Panofsky não esperasse tamanharepercussão daquele artigo introdutório. A exposição de um método de interpretação dos significados de temas antigos que reaparecem na arte do século XV e XVI investidos de significado diferente do original, suscitou intermináveis discussões, rendendo copiosa fortuna crítica. Precursor do estruturalismo e da semiótica, Panofsky tornou-se um “clássico” da história da arte, não no sentido de ummodelo cristalizado, encerrado em si mesmo, mas como possibilidade de se pensar o próprio percurso das imagens. Ainda hoje, me parece legítima observação de Frangenberg, de 1991, de que “a controvérsia em torno desse modelo (referindo-se à iconologia de Panofsky) não pode de forma alguma ser dada por encerrada”.4 Panofsky inicia seu artigo, identificando tanto nas imagens da obra de arte, quanto nasimagens da vida cotidiana três níveis de significado ou tema. O primeiro nível é o Tema Primário ou Natural. Logo de saída, Panofsky opõe-se a Wölfflin e sua defesa de um método de análise da obra de arte baseado em descrições “puras” das formas artísticas. Panofsky insiste sobre a impossibilidade de uma descrição puramente formal da imagem visual, artística ou não, argumentando que mesmo numa...
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