Iamamoto. capital fetiche - cap. 3

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IAMAMOTO. CAPITAL FETICHE - CAP. 3

Iamamoto, Marilda Villela. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social. São Paulo: Cortez, 2010.

Capítulo III- A produção teórica brasileira sobre os fundamentos do trabalho do assistente social

1. Rumos da análise

“ É, também, reconhecida a hegemonia que as interpretações de caráter histórico-críticoforam assumindo progressivamente na liderança do debate acadêmico-profissional brasileiro, a partir da década de 80.” (p. 212)

“ [...] certamente, a concepção de profissão elaborada pela autora na década de 80, aqui submetida a um balanço crítico ante as novas condições sócio-históricas no trânsito do século XX para o XXI. A Hipótese é que essa análise da profissão na divisão social e técnica dotrabalho foi largamente incorporada pela categoria profissional, tornando-se de domínio público, o mesmo não ocorrendo com os seus fundamentos referentes ao processo de produção e reprodução das relações sociais, o que justifica a necessidade de sua retomada e aprofundamento, com foco privilegiado no trabalho e sociabilidade na ordem do capital, como subsídio para se pensar o exercício da profissãona atualidade.” (p. 213)

“ Assim, a novidade está no fato de que os interlocutores são parceiros – e não opositores – inscritos em um universo teórico soldado pela teoria social crítica – ou em áreas fronteiriças que se aproximam no campo político -, ainda que abordados sob diversas inspirações teóricas que vão desde o hegelianismo, ao amplo campo da tradição marxista: Marx, Lukács eGramsci.” (p. 213)

“ No lapso das duas últimas décadas, a restrita mas fecunda literatura profissional no âmbito da renovação crítica do Serviço Social voltada aos fundamentos do Serviço Social – em suas dimensões históricas, teórico-metodológicas e éticas – tratou, sob diferentes ângulos, da natureza particular da profissão na divisão social e técnica do trabalho e sua dimensão ética.”(p. 213)

“ Ahipótese que conduz a presente análise é a de que essa literatura centrou-se predominantemente nas particularidades do Serviço Social, enquanto trabalho concreto, segundo focos distintos: as origens da profissão na expansão monopolista e o sincretismo (Netto, 1991b, 1992, 1996); a identidade e a alienação (Martinelli, 1989); as políticas sociais, as relações de força, poder e exploração (Faleiros,1987a, 1987b, 1999a); a proteção e a assistência social ( Costa, S. G. 2000; Yasbek, 1993, 1998); a hegemonia e a organização da cultura (Simionato, 1995; Abreu, 2002). Entretanto, a análise do processamento do trabalho do assistente social não adquiriu centralidade e nem foi totalizado nas suas múltiplas determinações, estabelecendo-se uma frágil associação entre os fundamentos do Serviço Sociale o trabalho profissional cotidiano ”
(p. 213 e 214)

“ Os restritos investimentos no acervo das determinações atinentes à mercantilização dessa força de trabalho especializada, inscrita na organização do trabalho coletivo nas organizações empregadoras, dificultam a elucidação de seu significado social – enquanto trabalho concreto e abstrato – no processo de produção e reprodução das relaçõessociais, no cenário da sociedade brasileira contemporânea . “ (p. 214)

“ […] a analise do trabalho profissional supõe considerar as tensões entre projeto profissional e alienação do trabalho social no marco da luta da coletividade dos trabalhadores enquanto classe. “ (p. 214)

1.1. A condição de trabalho assalariado

“ Sendo o Serviço social regulamentado como uma profissão liberal edispondo o assistente social de relativa autonomia na condução do exercício profissional, tornam-se necessários estatutos legais e éticos que regulamentem socialmente essa atividade. Entretanto essa autonomia é tensionada pela compra e venda dessa força de trabalho especializada a diferentes empregadores: O Estado […], o empresariado, as organizações de trabalhadores e de outros segmentos organizados...
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