Historia

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  • Publicado : 30 de maio de 2012
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INTRODUÇÃO
O modelo interpretativo proposto por Caio Prado Jr. em sua obra Formação do Brasil contemporâneo exerce forte influência até hoje na historiografia sobre o período colonial brasileiro. Sua influência se exerce tanto naqueles que procuram manter a idéia do "sentido da colonização", vendo a colônia como uma sociedade cuja estrutura e funcionamento foram determinados pelo comércioexterno e, portanto, como um mero empreendimento a serviço do capital comercial europeu, quanto naqueles que, buscando criticar tal visão e defendendo uma autonomia da dinâmica interna à colônia, vêem-se obrigados a discutir o modelo pradiano e seus desenvolvimentos posteriores, usando-o como ponto de partida das suas críticas.
O objetivo do presente trabalho é discutir as linhas principais dahistoriografia sobre o período colonial brasileiro que surgiram a partir do modelo pradiano e, a partir da análise dos seus fundamentos metodológicos, fazer uma avaliação do poder explicativo e adequação dos modelos propostos.
Nesta historiografia, sabe-se que a maioria dos autores buscou analisar a realidade colonial brasileira com base nos conceitos desenvolvidos por Marx, ou seja, na linha doMaterialismo Histórico, e Caio Prado Jr. foi pioneiro na aplicação do materialismo histórico à realidade brasileira. Entretanto, apesar de aparentemente partirem de uma mesma concepção teórica, tais autores chegam a resultados muito diferentes. Tais diferenças, como buscaremos defender neste trabalho, decorrem principalmente das diferentes leituras da obra de Marx, e são de fundo metodológico. Destaforma, torna-se necessário compreender as diferentes leituras de Marx que foram feitas pelos autores do debate, explicitando os aspectos metodológicos dessas leituras.
Partindo dos estudos desenvolvidos em outro trabalho (Teixeira, 2003),1 daremos destaque à tensão existente entre três visões da teoria do conhecimento em ciências sociais: o positivismo (e também o estruturalismo), com a sua busca derelações invariantes, de validade universal no espaço e no tempo; o historicismo, com a defesa de que cada arranjo social é uma particularidade histórica e que os conceitos não podem ser generalizados para o estudo de distintos arranjos sociais, o que aponta para os limites do conhecimento; e a dialética, que com uma mudança de registro lógico, ou seja, com o rompimento com os limites da lógicaformal, busca trabalhar a contradição entre a generalidade e a particularidade dos conceitos.
As discussões nas quais nos centraremos são basicamente as seguintes, que consideramos serem as mais importantes nas críticas ao modelo pradiano:
1) a acusação, imputada ao modelo pradiano, de que a idéia de "sentido" seria teleológica;
2) as críticas segundo as quais o escravismo (e não o capitalcomercial), que não é elemento central na obra de Caio Prado (chegando mesmo, em Fernando Novais, a ser visto como resultado do tráfico, ou seja, explicado pelo capital comercial), deveria ser a categoria central no estudo da Colônia, pois seria seu traço definidor e diferenciador;
3) o uso da categoria Modo de Produção para estudar o Brasil-Colônia, no bojo das críticas de que o modelo pradianoseria circulacionista, ou seja, centrado na circulação comercial, e não nas relações de produção, e por isto não seria rigoroso na aplicação do materialismo histórico à realidade brasileira;
4) as críticas à excessiva ênfase dada à dependência e subordinação da economia e da estrutura da sociedade colonial ao mercado externo. Embora esta crítica esteja ligada às anteriores, ela se desenvolveu nãoapenas no plano teórico, mas principalmente baseada nos desenvolvimentos da pesquisa empírica a partir da década de 1970 (particularmente com a demografia histórica), que apontaram uma complexidade na economia colonial que não podia ser explicada apenas pela idéia do "sentido".
Este trabalho se divide em 5 seções, além desta introdução. Na seção 1 apresentaremos o modelo proposto por Caio...
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