Historia dos indios no brasil - manuela carneiro da cunha

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  • Publicado : 20 de março de 2013
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História dos Índios no Brasil – Introdução a uma História Indígena
Manuela Carneiro da Cunha


Resumo


Deste paraíso assim descoberto, os portugueses eram o novo Adão. A presença desses outros homens (e rapidamente se concorda, e o papa reitera em 1537, que são homens) desencadeia uma reformulação das idéias recebidas: como enquadrar essa parcela da humanidade na históriageral? De qual dos filhos de Noé proviriam os homens do Novo Mundo? Por que meios teriam cruzado os oceanos antes que os descobridores tivessem domesticado os mares? Questões que continuam colocadas hoje e não se encontram completamente resolvidas.

Origens

Hipótese de uma migração terrestre vinda do nordeste da Ásia e se espraiando de norte a sul pelo continente americano (emfunção de uma glaciação que teria ocorrido de 35 mil a 12 mil anos atrás). Há também possibilidades de entrada marítima no continente pelo estreito de Bering. A possibilidade de outras fontes populacionais e de rotas alternativas se somando à do interior da Beríngia não está descartada.

Presença da História Indígena

Sabe-se pouco da história indígena: a origem, as cifras de populaçãosão pouco confiáveis, que dirá o que realmente aconteceu. Os estudos permitem não incorrer em certas armadilhas, a maior é talvez a ilusão do primitivismo. Na segunda metade do século XIX, época de triunfo do evolucionismo, prosperou a idéia de que certas sociedades teriam ficado na estaca zero da evolução, e que eram algo como fósseis vivos que haviam testemunhado o passado das sociedadesocidentais. Foi quando as sociedades sem Estado se tornaram, na teoria ocidental, sociedades “primitivas”, condenadas a uma eterna infância. E por estarem parados no tempo, não cabia a tais procurar a história. Somos tentados a pensar que as sociedades indígenas de agora são a imagem do que foi o Brasil pré-cabralino e que sua história se reduz estritamente à sua etnografia.
Na realidade, ahistória está onipresente. Está presente, primeiro, moldando unidades e culturas novas, cuja homogeneidade reside em grande parte numa trajetória compartilhada.

Está presente ainda na medida em que muitas das sociedades indígenas ditas “isoladas” são descendentes de “refratários”, foragidos de missões ou do serviço de colonos que se “retribalizaram” ou aderiram a grupos independentes(A idéia do isolamento deve ser usada com cautela, pois há um contato mediatizado por objetos, machados, miçangas, capazes de percorrerem imensas extensões, mediante comércio e guerra, e de gerarem uma dependência à distância.

Está presente também no fracionamento étnico que vai de par, paradoxalmente, com uma homogeneização cultural: perda de diversidade cultural e acentuação dasmicro diferenças que definem a identidade étnica. O que é hoje o Brasil indígena são fragmentos de um tecido social cuja trama cobria provavelmente o território como um todo.
Está presente, sobretudo, a história, na própria relação dos homens com a natureza. As sociedades indígenas de hoje não são o produto da natureza, antes suas relações com o meio ambiente são mediatizadas pelahistória.

Mortandade e Cristandade

Esse morticínio nunca visto foi fruto de um processo complexo cujos agentes foram homens e microorganismos, mas cujos motores últimos poderiam ser reduzidos a dois: ganância e ambição, formas culturais da expansão do que se convencionou chamar o capitalismo mercantil.

As epidemias são normalmente tidas como o principal agente dadepopulação indígena. É importante enfatizar que a falta de imunidade, devido ao seu isolamento, da população aborígine, não basta para explicar a mortandade. Outros fatores, tanto ecológicos quanto sociais, tais como a altitude, o clima, a densidade de população e o relativo isolamento pesaram decisivamente. Particularmente nefasta foi a política de concentração da população praticada por...
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