Historia daloucura

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Os doentes Mentais e suas Manifestações socioculturais: O caso do Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro de Manaus na década de 1960.

Hellen Kellen Oliveira do Nascimento
Adriana Brito Barata Cabral

Resumo: O presente artigo tem como objetivo fazer uma breve análise sobre o desenvolvimento da loucura no Estado do Amazonas, contudo, analisa dados sobre a população deinternos do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro de Manaus, suas trajetórias no internato, no ano de 1960. O objetivo é compreender como atributos físicos e culturais e experiências de vida desses pacientes internados no hospital foram conjugados na construção de sua experiência de loucura baseado na abordagem histórica da História Social baseada na proposta de E. P. Thompson, em “A Historia vista debaixo”, e nos prontuários médicos do Centro Psiquiátrico de Manaus para apontar as manifestações socioculturais dos doentes mentais.
Palavras-Chave: Psiquiatria, Sociedade, loucura, Manaus.

Introdução.
A proposta do trabalho e compreender o desenvolvimento da loucura no Estado do Amazonas mediante as leituras dos prontuários médicos nos interessaram a temática relacionada aos “doentesmentais” e os fatores que os levaram aos transtornos mentais, analisando obras que tratam do assunto visualizando a complexidade do trabalho, mas a busca de informações nas fontes primárias associadas com a abordagem de Michael Foucault que nos mostrou um campo rico em informações históricas, culturais, sociais, políticas e econômicas.
Para apesquisa sobre a relação entre gênero e loucura, alguns campos do banco de dados foram priorizados: gênero, classe, estado civil, temperamento, diagnóstico e tempo de internação, bem como referências a questões como comportamentos, órgãos sexuais e outros, considerados patológicos pelo pensamento médico.
A atribuição ao louco do estado de “doentes mentais” coincide com o movimentohistórico, em que o saber médico foi convocado a participar do processo de reordenamento dos espaços urbanos, na passagem do século XIX para o século XX, segundo Goffman .
Para explicar melhor esse processo buscou-se entender a definição da loucura e modificação de seu conceito, que a partir da Idade Moderna deixou de ser vista como um “erro da natureza” para se tornar uma ameaça social. Para tantoconstatamos que quando se pretende estudar sobre o tema loucura, é de fundamental importância à leitura do livro “História da Loucura na Idade Clássica”, de Foucault , uma vez que se trata de um marco para a compreensão desse tema, fazendo-nos refletir e modificar o próprio enfrentamento sobre o assunto, que até então era tido como "tabu".
Aqui segundo Foucault, cada época possui uma forma"estruturada de experiência" que comanda a ordem tanto dos discursos, quanto das práticas, além da própria ordem institucional. De acordo com Foucault, para Descartes o louco estava impossibilitado de exercer a capacidade de pensar, justamente por causa da sua insanidade mental, ou seja, era o momento em que a razão exclui a loucura, e esse gesto era simultâneo ao confinamento dos loucos. Assim, ocorte entre a razão e a desrazão tornou-se apenas uma expressão institucional do que estava ocorrendo. Foucault afirma : que a história da irracionalidade deve estar dentro das mesmas fronteiras que a história da razão, pois são cúmplices.
Assim e que os manicômios, destinados aos tratamentos dos loucos, surgem na historia da humanidade: como tantos outros aparelhos repressores, como tantas outrasinstituições normatizadoras que deveriam, sob o disfarce do tratamento, da terapêutica, segregar, excluir da sociedade os indesejáveis. Os doentes mentais foram internados, por meses, anos, entre grandes muros e muitas grades, submetidos a eletro choques e a excesso de substancias químico (Os remédios), que os dopavam e impregnava os cronificando – os. Envoltos em camisas de forca, quase sempre...
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