História do ensino da lingua portuguesa

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  • Publicado : 20 de novembro de 2011
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A LÍNGUA PORTUGUESA NA ESCOLA BRASILEIRA NOS ÚLTIMOS CEM ANOS 100 ANOS  
Este trabalho tem por objetivo apresentar e analisar uma breve trajetória do ensino de língua portuguesa no Brasil, a fim de refletir sobre diferentes práticas docentes para melhorar a aprendizagem dos alunos. Trata-se de um tema significativo, pois mais uma vez podemos ver a relevância da docência nos processos deaquisição da leitura e escrita, ao mesmo tempo em que percebe-se que após tanto tempo em pouco ou muito pouco foram alteradas tais práticas pedagógicas.

No século XIX, o ensino de língua materna relacionava-se a uma tradição de teoria e análise com raízes na filosofia grega, em que a linguagem era usada como expressão de pensamento. Só no início do século XX , com as novas teorias lingüísticas, começama se ouvir os ecos de uma mudança, mas, ainda assim, o ensino de Língua Portuguesa se mantinha voltado à tradição gramatical, buscando-se a homogeneidade padronizada e desprezando-se a heterogeneidade dialetal.
 Desde o início do século até os anos 50 o ensino destinava-se a uma elite que valorizava a gramática normativa calcada na norma padrão. As camadas populares não tinham acesso à escola,pois as vagas eram escassas. Ora, esses alunos de uma classe privilegiada já chegavam à escola com um domínio razoável do dialeto de prestígio, a norma padrão culta, e seus professores eram teórica e didaticamente preparados com excelência.
 À escola, cabia o ensino da gramática normativa. Textos literários compunham antologias, através das quais se desenvolviam nos educandos as habilidades deleitura e escrita. Além disso, a leitura tinha início, nessa época, em casa, no seio da família. Liam-se os contos de Andersen e dos Irmãos Grimm; as fábulas de Esopo e La Fontaine; as histórias de Monteiro Lobato no Sítio do Picapau Amarelo; os livros da Condessa de Ségur e da Srª. Leandro Dupré, entre outros.
 Nos ensinos primário e secundário, trabalhava-se, ainda, com a antologia, mas aquestão do ensino não era resolvida. Cada professor seguia a sua linha. Empregava-se nomenclatura variada.. Diante dessa situação, o Ministério da Educação e Cultura incumbiu um grupo de gramáticos da tarefa de compilar termos técnicos, no campo da gramática, que deveriam ser empregados uniformemente em todo o país e, assim, patrocinou a elaboração de um glossário que foi publicado em 1959, sob forma deportaria, com a finalidade de padronizar as referências descritivas sobre a língua, numa tentativa de redimencionamento de estudos, sem privilégio de qualquer doutrina. Tratava-se da Nomenclatura Gramatical Brasileira, a NGB, que se encontra em vigor até os dias atuais, embora submetida a diversas críticas .
 Mas o problema do ensino continuou, já que não se restringe à nomenclatura empregadapelos professores. O objeto do ensino de Língua Portuguesa é variável o bastante para que se possa considerar que uma única doutrina possa dar conta dessas variáveis. Além do mais, entende-se que cada professor tem o direito ético de privilegiar essa ou aquela doutrina, sem que, por isso, seja condenado.
 Dessa forma, na década seguinte, pesquisas denunciam o fracasso escolar, a crise do ensino,que se mantém apesar de todas as expectativas. O alvo da alfabetização em massa, perseguido desde a Constituição de 1946, continua inatingível. Nasce, então, como mais uma tentativa de aperfeiçoamento do ensino, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sob o número 4024/61. Esta lei determina que “a educação é direito de todos e será dada no lar e na escola” (Art.2º);. entretanto, emparágrafo único, admite a insuficiência de escolas e a possibilidade de encerramento de matrícula em caso de falta de vagas.
 Ainda com intenção de minimizar os problemas, a Lei 4024/61 cria os Conselhos Estaduais de Educação, cuja tarefa será tentar melhorar a qualidade do ensino. Levar-se-ão em conta, a partir da Lei, a variedade dos cursos, a flexibilidade dos currículos e a articulação dos...
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