História da igreja

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HOORNAERT, Eduardo et alli. História da Igreja no Brasil: Ensaio de interpretação a partir do povo. 4ª ed. Petrópolis: Vozes, 1992, p.42-103. Tomo II/1

OS MOVIMENTOS MISSIONÁRIOS

Distinguem-se quatro movimentos missionários no Brasil português que obedecem aos quatro momentos da colonização portuguesa: 1º) A conquista e ocupação do litoral brasileiro, do Rio Grande no Norte a São Vicente.Criou-se a cultura em torno da cana-de-açúcar. Nomes expressivos: Anchieta e Nóbrega; 2º) A ocupação do sertão brasileiro pelos rios, especialmente o São Francisco, “artéria de integração brasileira”. Nomes expressivos: Martinho de Nantes e os oratorianos; 3º) É maranhense, não brasileiro. Os portugueses consideraram o Maranhão como um estado distinto do estado do Brasil. Deu-se na segunda parte doséc. XVII e primeira do XVIII. Os missionários penetraram os interiores do norte atual do Brasil muitas vezes até além das cachoeiras, realizando o que talvez seja a maior obra missionária já efetuada no Brasil. Nomes expressivos: os jesuítas Figueira, Vieira, Bettendorff; 4º) durante o séc. XVIII,. Pertence ao povo português como missionário. Uma missão leiga e não clerical. Somente controlapelo clero com a criação do bispado de Mariana, em 1745. Nomes expressivos: os ermitães Feliciano Mendes e Lourenço de Nossa Senhora.
Não se pode negar que houve outras ações missionárias, contudo a obra não as considera propriamente como “movimentos” de amplitude e duração.
Os movimentos missionários obedecem a um ritmo, e podem considera-los “ciclos” missionários: após dinamismo,entusiasmarem-se e depois, frente à dureza que impõe pela realidade, com as dificuldades e conflitos surgidos, estabelecem e se acomodam.
O clero secular como participou e suscitou movimentos missionários no Brasil? O autor relata que esse clero não teve boa imprensa. A imprensa estava nas mãos dos religiosos, que difundiam uma imagem negativa deles e de suas atividades. Os considerados missionários na históriado Brasil eram brancos, já os padres seculares eram mamelucos, filhos de pai branco e mãe índia ou mameluca.

1. O Ciclo Litorâneo

A história das missões no Brasil está ligada aos estudos efetuados pelo historiador jesuíta Serafim Leite. São as fontes para o conhecimento histórico. Seu enfoque parte do institucional e não antropológico. Evita o problema de “redefinição” de todo o sistemacatólico. Faz história a partir da relação Portugal-Brasil. A instituição jesuítica que era a “assistente”. Não aborda a questão do tráfico negreiro, que é importante e fundamental para compreender o conjunto da evangelização brasileira.
O autor do texto, Eduardo, achou necessário relativizar a influência das missões dos jesuítas, franciscanos, carmelitas e beneditinos, pois influenciaram oengenho de açúcar. Houve uma leitura sincera da mensagem de Deus a partir da vida vivida nos engenhos. Imprimiu a estabilidade dos costumes a Historia do Brasil como: tradições e modos de pensar e agir que perduraram até a urbanização atual. Outras influências desapercebidas: as mucamas e donas-de-casa, violeiros e cantadores populares, ermitães e irmãos, beatos e beatas, quilombolas e cangaceiros quetalvez pesaram na formação do catolicismo, vivido pela maioria do povo brasileiro.
O movimento missionário jesuítico foi o mais vigoroso no Ciclo litorâneo. Os seis jovens jesuítas que desembarcaram em Salvador (1549), com o Pe. Manoel da Nóbrega foi pioneiro. Ela se mostra única capaz de encarar as tarefas da nova situação mundial. A obra dos jesuítas deve ser considerada essencialmentemissionária em todas as suas expressões (colégios e aldeamentos). É importante dizer que os colégios existiam para o aldeamento. Era tido como suporte da missão, era o regulamento das missões.
A lógica interna do sistema colonial de Dom João III era “povoar” o Brasil para tirar proveito dele, provindo do cultiva da cana-de-açucar. Para plantar era preciso eliminar os índios. Mem de Sá, nomeado...
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