Hipônimo e hiperônimo

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{ Revista TRIP }
sexta-feira, 3 de junho de 2011 13:20

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Flávio Sampaio poderia ter uma aposentadoria tranqüila depois de se consagrar como bailarino e professor de algumas das principais companhias do Brasil e do mundo. Mas decidiu voltar a sua terra natal, a pequena Paracuru (CE), para montar a segunda maior escola de balémasculino do país e desafiar o velho preconceito de que dança não é coisa de homem Meninas sentadas no chão conversam baixinho em grupos de três ou quatro. C abelos impecavelmente presos em coques, tranças e rabos -de-cavalo. Os meninos chegam, chamando a atenção. Primeiro, pela quantidade; só essa turma deve ter mais de 30 alunos, entre 10 e 15 anos de idade. Depois, pela postura, absolutamente ereta, epelo silêncio. O uniforme branco com a inscrição Escola de Dança de Paracuru contrasta intensamente com a pele morena da maioria. Estamos em uma pequena cidade da costa oeste do C eará, onde o sol brilha forte. Um paraíso do surf no Nordeste brasileiro, com queda para uma arte um tanto improvável para a região: o balé clássico. A responsabilidade é de Flávio Sampaio, ex -bailarino e professor doTeatro Municipal do Rio de Janeiro, da escola do Balé Bolshoi no Brasil e de uma série de outras em centros importantes da dança pelo mundo, como Paris e Varsóvia. Filho da terra, Sampaio retornou das andanças para formar bailarinos por ali mesmo. PRAIA, PRIMEIRO PALCO C om 6 anos de idade, sem nunca ter visto TV nem sequer a foto de um bailarino em ação, Flávio se lembra de ensaiar movimentos debalé nas areias da praia da Bica. Hoje, aos 56, espera ansioso o fim de 2008, quando formará a primeira turma de bailarinos de sua escola. Além dela, Sampaio dirige a C ompanhia de Dança de Paracuru, um grupo profissional que representa sua tentativa de evitar que seus alunos tenham obrigatoriamente de ir embora como ele. Bailarinos costumam dizer que um momento -chave no aprendizado da arte é o“vôo”, quando conseguem sustentar o próprio peso no ar. Flávio Sampaio sabe bem que se tornar bailarino implica outros “vôos”, especialmente se você for de uma cidade pequena e improvável para essa arte. “Eles se tornam muito diferentes dos pais, do resto da família, dos amigos.” C om 112 meninos num total de 195 alunos, a Escola de Dança de Paracuru é a segunda do Brasil em balé masculino – aprimeira é a do Balé Bolshoi, em Joinville. “O C eará gera excelentes bailarinos. Mas o que se espera do menino daqui quando cresce? Que ajude o pai na roça e ainda estude uma profissão que garanta emprego formal. Eles vêm aqui para serem bailarinos! Têm aulas de história da arte, de ética. Essas novidades não representam só algo positivo, provocam choques muito intensos às vezes.” Dentre a turma dosformandos, há várias promessas. Joab Taffarel, de 18 anos, chamou a atenção da coreógrafa Deborah C olker e deve seguir para sua companhia de dança assim que terminar a formação. Esse já aprendeu a voar. DO FORRÓ AO BALÉ Flávio Sampaio já era uma espécie de figura mítica em Paracuru quando um grupo de jovens bateu à porta da casa de sua mãe, na praça da matriz, pedindo auxílio. “Na verdade, nóstínhamos medo dele. Sabíamos que ele tinha sido bailarino, já tinha vivido no exterior. Mas não queríamos nada com balé, apenas aprender forró”, explica Alexandro Santiago, hoje com 24 anos, trabalhando como professor na escola e integrante da C ompanhia de Dança. Na época, Flávio passava férias na terra natal. “Eu respondi: „Forró não forma ninguém em dança, vocês não querem aprender algo mais?‟.” Como não podia assumir as aulas, designou um assistente para ir a Paracuru nos fins de semana, gastando com isso R$ 100 por mês do próprio bolso. “A primeira mudança veio com o street dance, uns seis meses depois. Sem que percebessem, introduzi elementos de jazz e dança contemporânea. Aos poucos foram tomando gosto pela pesquisa e, quando deram conta, já estavam querendo o balé”, recorda....
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