Haitianos em porto velho: ensino da língua portuguesa e inserção social

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  • Publicado : 19 de março de 2013
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Haitianos em Porto Velho: ensino da língua portuguesa e inserção social
Marília Lima Pimentel.
Professora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Elisângela Lima Eurico de Paula.
Graduanda da Universidade Federal de Rondônia (UNIR)


Resumo
Desde março de 2011, Porto velho é o destino de muitos imigrantes haitianos. De acordo com a Secretaria Estadual de Assistência Social de Rondônia,cerca de mil haitianos estão em Porto Velho. É um fluxo migratório que visa a busca de trabalho para reconstruírem suas vidas e ajudar seus familiares que deixaram em seu país. O Laboratório de Estudos da Oralidade – LEO, vinculado ao Núcleo de Ciências Humanas da Unir, em parceria com a Pastoral do Migrante, realiza um projeto de extensão, junto ao grupo de haitianos cujo principal objetivo éensinar a língua portuguesa, para que esses imigrantes possam ser inseridos da melhor forma possível no mercado de trabalho no Brasil, especificamente em Porto Velho. As aulas são ministradas duas vezes na semana. Participam desse projeto, além de professores de Letras, Ciências Sociais e História, alunos dos cursos de Letras e Psicologia da Universidade Federal de Rondônia. Os estudanteshaitianos aprendem também noções de direitos e deveres trabalhistas, história e geografia do Brasil e, sobretudo da Amazônia, com ênfase ao estado de Rondônia. Utilizam-se as noções de gênero da teoria bakhtiniana e o método sociointeracionista. Nosso objetivo é discutir o ensino de língua portuguesa como língua estrangeira e, também como forma de inserção social. Além de refletir sobre as influências doaprendizado do português na ressignificação da identidade cultural desses imigrantes.


O Haiti


O primeiro país latino americano independente tem em sua trajetória um caminho político, social e econômico instável até os dias de hoje. Revolta, golpes e repressões marcaram o povo haitiano. Hoje a “Pérola do Caribe”, tornou-se uma das nações mais pobres da América Latina. Desdefevereiro de 2004 o país sofre intervenção de forças militares da Organização das Nações Unidas (ONU), e o Brasil é o país responsável pelo processo de pacificação no território. A economia nacional é pouco desenvolvida, e os principais produtos de exportação são: o açúcar, a manga e a banana, entre outros. Esse segmento emprega a maioria dos haitianos. Seu índice de desenvolvimento humano (IDH) é baixo,aproximadamente 60% da população é subnutrida, e mais da metade vive abaixo da linha da pobreza.
O Haiti possui duas línguas oficiais que é o francês e o criolo haitiano ou créole. Muitas vezes a língua de um país depende de sua história, de como foi descoberto e colonizado. Na republica do Haiti, assim como o Brasil, foi colonizada por europeus, a questão do idioma ocorre diferente, oBrasil adotou o português como oficial devido a herança deixada pelos colonizadores, já no Haiti o país possui dois idiomas oficiais, porém mais de 80% da população prefere falar o criolo haitiano. O país foi descoberto por Cristovão Colombo em 1492, e em 1697 foi doada à França pela Espanha. Sua história foi marcada então de guerras pela sua população para acabar com a colonização francesa, até queem 1804 tornou-se um país independente. Somente em 1961 que o criolo foi oficializado ao lado do francês, que era o único idioma literário desde a independência da nação. Por ser um país muito pobre e a maioria analfabeta, o país encontra-se em uma crise econômica e não possue perspectiva de melhoras a curto prazo. Quem fala o francês é visto como parte da elite, logo as famílias mais pobres comgrau de escolaridade menor, usam apenas o criolo para se comunicar, como são a maior parte da população, o idioma se propaga com mais facilidade que o francês.
Nesse sentido, alguns estudos feitos convergem para a afirmação de que o Haiti é um país diglóssico, pois ao lado da língua vernácula (o Kreyòl), existe uma outra língua que é aparentada a esta, cujo status social é mais elevado (o...
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