Guerra cambial

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  • Publicado : 7 de novembro de 2011
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A “GUERRA CAMBIAL” E ALGUMAS REFLEXÕES TEÓRICAS:
POR UMA ANÁLISE INTER-TEÓRICA

A “Guerra Cambial” e algumas reflexões teóricas:
Por uma análise inter-teórica

Em se tratando de “Guerra Cambial” há de se fazer algumas ilações e depreensões conjunturais acerca do tema, de modo que haja um entendimento mais completo e menos jornalístico do tema. A política do quantitative easing (afrouxamentoquantitativo) demonstra uma preocupação exacerbada na emissão de moedas no comércio internacional, a despeito das implicações de desequilíbrio e insolvência que isso pode acarretar.

A polêmica começou já há algum tempo frente à manutenção de uma taxa de câmbio chinês desvalorizada, ou seja, reprodução de um sistema econômico sob o qual o Yuan se mantinha desvalorizado, de tal maneira quefacilitava um superávit na balança comercial e, conseqüentemente, mais divisas ao país. Essa prática ficou em pauta por algum tempo nos painéis econômicos internacionais, mas foi realmente posta em discussão quando os Estados Unidos resolveram partir para uma disputa cambial, com os mesmos instrumentos chineses- diga-se de passagem – gerando uma currency war, diante do cenário de crise interna,retração do comércio e déficit na balança comercial.

O comércio internacional, hodiernamente, está fundado sob dois pilares epistemológicos que norteiam toda compreensão que temos sobre os fluxos financeiros. O primeiro é o sistema de fluctuating fiat currencies, que preconiza nossas transações a partir de moedas fiduciárias flutuantes, ou seja, baseamos nosso comércio em materiais simbólicos sob osquais depositamos nossa confiança na solvência e liquidez do emissor por uma questão de confiança. O segundo pilar da economia internacional se funda no preceito do “Full Faith and Credit of the US Government” – que talvez seja o mais perigoso – essa noção remete-nos a compreensão de “total confiança e crédito no governo dos EUA”, de tal modo que eles são os responsáveis pela credibilidadeintersubjetiva que lastreia toda a economia internacional. Desde 1973, com o colapso de Bretton Woods, essa credibilidade não fora afetada de modo tão nevrálgico como na crise de 2008, no entanto, diante de uma crise como essa, as bases da economia têm de ser repensadas.

De forma objetiva, o que se busca atualmente é a concepção de que “moeda fraca é saudável para a economia”, e se a moeda estiver em umsistema de competitividade conjunta e desvalorizando mais que outras, nesse caso é melhor ainda. Essa concepção é legado direto dos mercantilistas que se baseavam na ideia de que exportações são benéficas à economia, enquanto importações são prejudiciais, e também filia-se a um entendimento keynesiano de que o Estado deve intervir para garantir e promover a economia nacional.

No entanto, aradicalização dessas vertentes econômicas supracitadas representa a maior incoerência e despautério econômicos, diante de uma lógica muito simples. Em um mundo globalizado a interdependência é fundamental à própria continuação das trocas internacionais, de tal sorte que a reprodução do sistema só é possível frente à ideia de complementaridade sobre a qual alguns compram e outros vendem, de modo quehaja um ciclo. “Todos os países não podem resolver seus problemas econômicos simultaneamente por meio do estímulo às exportações. É contraproducente, alerta o Financial Times (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 out. 2010, p. B4). Ademais, essa idéia é perseguida sob o pretexto de que o aumento das exportações em detrimento das importações é o que gera o crescimento econômico e o desenvolvimento de umpaís, no entanto, Smith, Ricardo e Say lutavam contra essas concepções já nos séculos XVIII e XIX.

Sabe-se, ou dever-se-ia saber, que o que gera crescimento econômico é uma maior produtividade. De forma mais completa, o que gera um maior crescimento econômico é uma questão conjuntural da economia de um país que consegue se destacar na produção de determinados bens, através de uma maior...
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