Gramatica

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Ficha de Treino Nº 1 – Conteúdos CEL

Lê, com muita atenção, o texto que se segue.


Um Velho em Arzila


|1. | Era um velho muito velho, sentado à porta da Torre de Arzila, as barbas todas brancas, os cabelos quase pelos ombros, calçava umas alpercatas|
| |rotas, vestia uma estranha camisa comprida cor de palha, tudo nele era muito antigo, excepto os jeansdesbotados, que contrastavam com o resto. Reparei|
| |que trazia atada ao pescoço uma cruz enferrujada que lhe pendia sobre o peito. Tinha os olhos muito azuis, recitava uma espécie de oração, qual não foi|
| |o meu espanto quando, ao aproximar-me, reparei que repetia incessantemente o primeiro verso d’Os Lusíadas. Devo estar a sonhar, pensei. Aproximei-me um|
|5. |pouco maise não havia dúvidas: as armas e os barões assinalados, dizia ele, as armas e os barões assinalados. Era só aquele verso, sempre o mesmo, |
| |como se rezasse. Ainda esperei que ele avançasse na estrofe, mas o homem não saía do primeiro verso. Dir-se-ia que estava dentro dele, emparedado nas |
| |sílabas de as armas e os barões assinalados.|
| |− Boa tarde – disse-lhe, tentando meter conversa. |
| |− As armas e os barões assinalados, as armas e os barões assinalados – continuou ele, sem sequer olhar para mim.|
|10. |Era um homem perdido no tempo, fechado em si mesmo, prisioneiro de um decassílabo. Que faria ele ali, sentado à porta da Torre de Arzila, repetindo sem|
| |cessar as armas e os barões assinalados? |
| |Sentei-me ao lado dele e assim que ouvi o fim doverso, antes que ele recomeçasse, encadeei com quantas forças tinha: que da ocidental praia lusitana, |
| |por mares nunca dantes navegados, passaram ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana. |
| |O velho voltou-se para mim e respondeu com os primeiros versos da última estrofe do Canto I:|
|15. |No mar tanta tormenta e tanto dano, |
| |Tantas vezes a morte apercebida! |
| |Ao que retorqui:|
| |Na terra tanta guerra, tanto engano, |
| |Tanta necessidade aborrecida!|
|20. |Parou então a ladainha, fitou-me em silêncio e acabou por dizer: |
| |− Até que enfim. || |− Não estou a perceber. |
| |− Está, está. Eu sabia que tinha de vir alguém, estou aqui há tanto tempo, todas as manhãs e todas as tardes, a repetir a senha, eu sabia que alguém |
| |viria, alguém acabaria por me trazer a contra-senha....
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