Grafitti

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  • Publicado : 11 de novembro de 2012
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Para começo de conversa é graffiti! Grafite é aquele bastão fininho que tem dentro do lápis que serve para escrever. Mas graffiti também é escrita. Escrita inscrita nas paredes da cidade. É cor, linguagem, textura, arte, intervenção, protesto, provocação.
A história, as lendas e a Wikipédia dizem que o graffiti deriva lá do Império Romano, onde os muros eram utilizados como um dos suportes dediálogo com a esfera pública. Cristo foi crucificado, Maria Antonieta perdeu a cabeça, o muro de Berlim foi derrubado, a Hebe quase morreu e o Corinthians foi para a Libertadores, e o graffiti continua sendo intervenção, arte e denúncia urbana.
Generalizou-se pelo mundo a partir de maio de 1968, quando, no contexto de revolução política e cultural, os muros de Paris foram tomados por inscrições decaráter poético-político. Tornou-se popular e adquiriu forma nas ruas de Nova York. No Brasil, mais fortemente em São Paulo, surgiu na década de 1970. Primeiro através das pichações poéticas e depois com a stencil art (com reprodução seriada).  Já nos anos 90, o graffiti ampliou sua presença para as periferias no rastro do movimento hip-hop.
Hoje, está incorporado de tal forma na vida urbana quejá faz parte da identidade das cidades. Em São Paulo, todo dia 27 de março, saúda-se o dia do graffiti (não oficializado nacionalmente). A data é celebrada desde 1988, em homenagem a Alex Vallauri, um dos pioneiros da arte de rua no país. O grafiteiro, pintor, artista gráfico, desenhista, cenógrafo e gravador nasceu na Etiópia, mas adotou o Brasil. Criou personagens célebres reproduzidos em stencilpor toda a Paulicéia. Quem não se lembra da enigmática botinha preta de couro?
De tanto percorrer a cidade, a botinha perdeu seu solado, foi engolida por uma bocona vermelha que dizia ah! beija-me, passeou com o Cão Fila, visitou o TAKI 183 e acabou indo para a mesa com a Rainha do Frango Assado.
As histórias dos graffitis se entrelaçam, se recriam. Numa paleta de cores, assumem novas formas ematizes. Os muros são o suporte, a morada de todos esses grafismos, ícones, histórias e memórias de uma metrópole. O graffiti é assim. Nasce da necessidade de passar uma mensagem. Caminha em cores por ruas cinzas. Provoca o olhar para a cidade. Em cada símbolo, torna os muros sociais visíveis. É poético. É ácido. É metáfora. É antítese.
Arte democrática e humanizadora

Embora autoral, o graffitié arte intrinsecamente democrática. O desenho fica exposto a toda população sem distinção ou restrição – basta olhar a cidade. A efemeridade lhe insere um sentido de desprendimento. A noção de posse da obra é eliminada. “O graffiti mantém um diálogo muito rico entre os transeuntes e o poder público. Levanta questões sobre de quem é a cidade. Resgata o verdadeiro conceito de público”, explica agrafiteira Ziza de São Paulo.
É sempre muito curioso como as pessoas se relacionam com as imagens. O graffiti ocupa o espaço e interage o tempo inteiro.  Desde pautar olhares transgressores e reflexivos até situações engraçadas. Quem nunca, por exemplo, ao indicar um caminho, disse “olha só! pega a primeira esquerda e vira na quarta a direita, na rua onde tem um graffiti bem colorido na esquina”.Ou ficou surpreso ao se deparar com a frase o amor é importante, porra! Ou ainda viu estremecer os pilares da sociedade racista ao ver o graffiti do recorrente saci, com as mãos para o alto, ao lado da inscrição quem ter orgulho de ser negro levanta a mão! E ficou chocado ao ver que, na realidade, um policial apontava uma arma em direção a esse mesmo saci.
“Toda a cultura hip-hop, incluindo ograffiti, é ato resistente numa cidade que sonega direito, sonega a voz. Ela ocupa, traz visibilidade, dá voz. Além disso, o graffiti tem um papel de revitalização – dá vida ao que não tem cor”, diz Paulo Carrano, professor da Faculdade Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Observatório Jovem do Rio de Janeiro.
Nesse sentido, o graffiti humaniza e transforma o espaço...
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