Graduando e letras

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ANÁLISE DE DISCURSOS COM ÊNFASE NAS RELAÇÕES DIALÓGICAS E NOS ACENTOS APRECIATIVOS CONCEDIDOS EM DOIS CONTEXTOS HISTÓRICO-SOCIAIS

Felipe Diego Batista

1. Introdução

Durante a segunda metade do século XX os discursos relacionados à questão racial foram ganhando cada vez mais força. Nos Estados Unidos grandes mobilizações em luta por igualdade e oportunidades para os negros,ganharam grande repercussão internacional. Nesse período surgiu o Pastor Martin Luther King com o seu clássico discurso: “I have dream” – “eu tenho um sonho” o qual nos propomos a analisar, trechos dele, ao longo do trabalho. Em 2008, durante a campanha presidencial, esse discurso é retomado agora em outro contexto histórico, com um negro como candidato preferido à presidência da república americana,Barack Hussein Obama. Os sentidos dos enunciados proferidos pelos dois representantes da luta pela igualdade racial, em dois contextos históricos diferentes, nos trás um vasto material de análise a partir dos conceitos de dialogismo e acento apreciativo. Percebe-se como, a depender do contexto histórico-social e da situação enunciativa, as palavras recebem valores diferentes e mesmo quandoretomada a palavra do outro adquire novo juízo de valor e é enunciada com outro acento apreciativo que fora constituído no individual e no social.

Partindo dos conceitos Bakhtinianos de dialogismo e acento apreciativo o presente trabalho tem como objetivo realizar uma análise em trechos dos discursos do Dr. Martin Luther King e do presidente Barack Hussein Obama, ainda quando candidato,contemplando as relações dialógicas presentes no segundo em relação ao primeiro e o acento apreciativo em cada contexto nos quais foram enunciados.

2. Dialogismo, segundo Bahktin

O filosofo russo Mikhail Bakhtin surgiu no século XX com a teoria dialógica. Segundo ele, a língua, em sua totalidade concreta, viva, em seu uso real, tem a propriedade de ser dialógica, havendo em todoenunciado uma dialogização interna da palavra, que é perpassada sempre pela palavra do outro. Portanto para Bakhtin, o dialogismo é o principio constitutivo da linguagem e a condição de sentido do discurso. Identificamos sempre num discurso a presença do outro.




A orientação dialógica é naturalmente um fenômeno próprio a todo discurso. Trata-se da orientação natural de qualquerdiscurso vivo. Em todos os seus caminhos até o objeto, em todas as direções, o discurso se encontra com o discurso de outrem e não pode deixar de participar, com ele, de uma interação viva e tensa. Apenas o Adão mítico que chegou com a primeira palavra num mundo virgem, ainda não desacreditado, somente este Adão podia realmente evitar por completo esta mútua orientação dialógica do discurso alheiopara o objeto. Para o discurso humano, concreto e histórico, isso não é possível: só em certa medida e convencionalmente é que pode dela se afastar. (Bakhtin, 1988, p. 88)




Bakhtin nos apresenta como as relações dialógicas podem ser identificadas num discurso; é possível, para fins didáticos, classificá-las em três tipos:

• O dialogismo constitutivo, que não se mostra no fiodo discurso. Esse trata da incorporação da voz ou das vozes de outro(s) no enunciado, pelo enunciador, de forma composicional. Ou seja, não dá para delimitar nitidamente as fronteiras entre as vozes que falam no enunciado.

• O dialogismo como o modo de constituição do enunciado. Esse se dá nas formas de absorver o discurso alheio no enunciado de maneira a tornar visível esse princípio defuncionamento da linguagem na comunicação real. Pode ser demarcado, com separação nítida, ou bivocal: internamente dialogizado.

• O dialogismo constitutivamente ideológico, formado a partir das vozes sociais assimiladas ao longo da vida e como resposta ativa às vozes interiorizadas.

Diante desses conceitos entende-se que todo enunciador também é um interlocutor, o seu discurso...
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