Governamentalidade e Anarqueologia em Michel Foucault

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A partir de 1980 Michel Foucault introduz uma nova problematização nos estudos sobre as relações de poder pela qual renovou consideravelmente seu "método" de análise: trata-se da anarqueologia dos saberes, que consiste no deslocamento que levou do eixo de análise "poder-saber" para o "governo dos homens pela manifestação da verdade sob a forma da subjetividade" (Foucault, 2010, p. 64). Com a anarqueologia, Foucault conferiu um grau de complexidade extraordinário às suas pesquisas, resultando, anos mais tarde, na formulação do tema da estética da existência.

Além disso, a anarqueologia prolonga e reelabora as análises iniciadas por Michel Foucault em 1978 acerca da governamentalidade. Foucault passa a investigar as práticas de governo no plano discursivo e performático, tornando evidente os processos históricos pelos quais verdade e subjetividade foram indexadas para a produção da obediência no exercício do governo. A obra-chave para apreender o tema da anarqueologia é o curso intitulado Du gouvernement des vivants, proferido por Foucault no Collège de France em 1980.

Neste artigo, abordo essas duas noções procurando compreender, nos deslocamentos que elas provocam, o percurso empreendido pelo pensamento foucaultiano que conduziu ao período ainda pouco explorado pelas ciências sociais no Brasil, o chamado "último Foucault".
Racionalidades governamentais

A partir de 1980, os estudos da governamentalidade serão focados, sobretudo, na dimensão programática das artes de governar, isto é, sobre os programas e as racionalidades para dirigir as condutas. Para Foucault, o governo dos homens "supõe uma certa forma de racionalidade, e não uma violência instrumental" (2001b, p. 980).

O termo "racionalidades governamentais" convida a estabelecer paralelos com autores clássicos da sociologia, notadamente com Norbert Elias (1994) e Max Weber (1997), e suas expressões respectivas de "processo civilizador" e "processo de racionalização ocidental". Em relação aos

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