Globalizacao

GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA, EXCLUSÃO SOCIAL E INSTABILIDADE
 
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo(1)
 
Introdução
 
A globalização da economia é o processo através do qual se expande o mercado e onde as fronteiras nacionais parecem mesmo desaparecer, por vezes, nesse movimento de expansão. Trata-se da continuação do processo de internacionalização do capital, que se iniciou com a extensão docomércio de mercadorias e serviços, passou pela expansão dos empréstimos e financiamentos e, em seguida, generalizou o deslocamento do capital industrial através do desenvolvimento das multinacionais.
A fase atual, chamada de globalização, caracteriza-se por: a) deslocamento espacial das diferentes etapas do processo produtivo, de forma a integrar vantagens nacionais diferentes(2);b)desenvolvimento tecnológico acentuado, nas áreas de telemática e informática, usando-o de forma a possibilitar o deslocamento espacial das fases de produção e reduzindo tempo e espaço no processo de comercialização; c) simplificação do trabalho, para permitir o deslocamento espacial da mão de obra; d) igualdade de padrões de consumo, para permitir aumento de escala; e) mobilidade externa de capitais, buscandorentabilidade máximas e curto prazo; e f) difusão (embora desigual) dos preços e padrões de gestão e produção, mantendo, todavia, diferenças de condições produtivas que são aproveitadas no deslocamento da produção.
Trata-se, pois, de buscar aumentos cada vez maiores nas condições de concorrência e de ampliar ao máximo o mercado, o que impulsionou no mundo inteiro a prática do liberalismoeconômico. Assim observou-se, ao lado da abertura comercial generalizada, a difusão dos processos de desregulamentação e de privatização, no mundo todo.
Este tipo de prática, não apenas retirou o Estado de várias áreas, reduzindo seu papel, mas ainda dificultou sobremaneira sua atuação, uma vez que a mobilidade de capitais acentuada torna os países extremamente vulneráveis a mudanças nas expectativas, einviabiliza o prosseguimento de políticas internas. Além disso, a privatização desordenada e o desmantelamento do aparelho estatal tiram instrumentos e margem de manobra do Estado.
É inegável que o acirramento da concorrência amplia a chamada "eficiência" no que se refere, por exemplo, à queda dos preços, o que funcionou positivamente nos programas de estabilização mais recentes, como o brasileiro.É inegável, também, que a qualidade dos produtos cresce, assim como o desenvolvimento tecnológico é estimulado. Mas a liberalização econômica em escala mundial teve também conseqüências danosas, que sugerem a necessidade de retorno à regulamentação estatal. Entre elas destacamos: a) a intensificação dos processos de concentração, polarização e marginalização, que ampliam o caráter excludente docapitalismo; e b) o aumento da volatilidade dos capitais, da instabilidade financeira e do caráter fictício do capital, que colocam em risco o próprio andamento das economias a médio e longo prazos. Entender as razões para que estes processos tenham se desenvolvido paralelamente à globalização, é o primeiro objetivo desse trabalho. Discutir a necessidade de maior intervenção do Estado, buscandoatenuar tais problemas, é o nosso segundo objetivo.
 
O caráter excludente da globalização: concentração e centralização do Capital polarização e marginalização
 
Através dos processos de concentração e centralização do capital os principais setores da economia são controlados cada vez mais por um pequeno grupo de empresas que fica cada vez mais poderoso. Os processos ocorrem através dereinvestimentos das próprias empresas nos setores onde atuam (concentração), ou através de fusões e incorporações de outras que sucumbem à concorrência (centralização). Várias são as razões para tal resultado. Existem custos irrecuperáveis de instalação das empresas que desestimulam a saída de firmas de um setor. É o caso de gastos em pesquisa e desenvolvimento nas áreas de inovação e imitação, que...
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