Globalização, neoliberalismo e educação

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  • Publicado : 13 de maio de 2011
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INTRODUÇÃO
A reflexão sobre as consequências do processo de globalização e da política neoliberal na educação não é recente, contudo essas consequências foram absorvidas gradadivamente pela socieda como algo normal. Com o advento da globalização, que para muitos se confunde com a era do conhecimento, em uma perspectiva contraditória a educação é tida como o maior recurso de que se dispõe paraenfrentar essa nova estruturação do mundo. O processo de globalização implica necessariamente na maior concentração de renda, na exclusão e marginalização total dos países que não tiveram condições de fazer parte deste processo, na dependência mundial das transnacionais e do sistema financeiro.
A educação escolar é solapada pela lógica capitalista e pelos ideais neoliberais, e as as políticaseducativas desconsideram as diversidades da sociedade. O neoliberalismo propôs uma mudança no papel do Estado, sustentando que o mercado deveria substituir a política, e quanto a política educacional, a mesma segue a lógica de mercado, restringindo a ação do Estado à garantia da educação básica, e deixando os outros níveis sujeitos as leis de oferta e procura. Essas transformações atingiramprofundamente a cultura e a educação.
O neoliberalismo trouxe uma nova forma de se ver a qualidade educacional associando-a aos princípios mercadológicos de produtividade e rentabilidade, introduzindo nas escolas a lógica da concorrência. Esse raciocínio baseia-se na crença de que quanto mais termos "produtivos" se aplicam à educação, mais "produtivo" se torna o sistema educacional ( Gentili, 1994).
Aconcorrência no mercado trouxe a algumas escolas uma mudança nas suas relações, transformando quem ensina num prestador de serviço, quem aprende no cliente, e a educação num produto a ser produzido com alta ou baixa qualidade. A reflexão sobre as concepções e perspectivas do trabalho docente são mediatizadas pelo sucateamento que a educação vem sofrendo paulatinamente ao longo das décadas, objetivoda política hegemônica, imperialista e neoliberal do capitalismo. Objetivo voltado para a lógica cruel à classe dominada, mas muito lucrativa para a classe dominante, na medida em que a educação é manipulada em favor dos interesses individuais que atribuem à mesma um caráter mercadológico, garantindo assim a formação técnica dos que atuarão em uma sociedade competitiva e excludente, conformeSacristán (1999):
a própria universalização da educação com o apoio do sistema público, perde força diante de seus próprios beneficiados, vistos agora como clientes muito mais exigentes, dispostos a entrar em um mundo desregulado de oferta de serviços, tal como o apresenta a ideologia do mercado. (p.151-52).
A qualidade é concebida enquanto produto educacional, e não enquanto processo. A limitadavisão da educação é refletida na política de incentivo do Banco Mundial, principal agência de assistência técnica à educação para os países em desenvolvimento (Torres, 1996), em que predomina uma concepção tradicionalista, transmissora e bancária, evidenciando que os estudos em que a mesma se fundamenta para a elaboração e articulação de suas propostas sinalizam fragilidades e vazios, carecendo derespaldo teórico. Ignora-se a evolução e o desenvolvimento do conhecimento, privilegiando-se os estudos empíricos.
Neste contexto, os professores são vistos, pelo Banco Mundial, como problema, e não como recurso (Torres, 1996). Questões como salário, formação e capacitação ocupam um lugar marginal nas prioridades e estratégias propostas pela agência. Quanto à formação e à capacitação, o aprimoramentoem serviço, estas são recomendadas pelo Banco, tidas como mais efetivas quanto ao custo. Já quanto ao salário, a agência “insiste em que o incremento do salário docente, por si só, não tem incidência sobre o rendimento escolar.” (Torres, 1996, p.166).
A estratégia do Estado neoliberalista tem sido o abandono das Instituições de Ensino Superior a sua própria sorte, até que, aceitem soluções...
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