Gil vicente

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  • Publicado : 22 de abril de 2013
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Características do teatro vicentino
Uma das características das obras de Gil Vicente é o recurso a
personagens-tipo. As suas personagens não são individuais, isto é, representam sempre um grupo,uma classe social, uma profissão. Desta forma, são uma síntese dos defeitos e virtudes desses grupos. Assim, Gil Vicente satirizava a sociedade, sem atacar diretamente alguma pessoa em particular.
Aexpressão latina “ridendo castigat mores”, que significa “é a rir que se castigam os costumes”, foi o princípio que Gil Vicente aplicou à sua sátira –  através do cómico, provocando o riso no público, o dramaturgo denuncia os erros de cada classe social.
Gil Vicente é considerado um poeta-dramaturgo. Dramaturgo por ser criador de teatro e poeta, porque toda a sua obra é escrita em verso. Nas suasobras critica a sociedade do seu tempo, pondo a descoberto muitos dos vícios e hábitos das várias classes sociais. Por isso, se considera a sua obra como um espelho, porque reflete fielmente a sociedade do séc. XVI.

Sabias que?
Os Tipos sociais Vicentinos
É enorme a galeria das personagens vicentinas.
Descontando os diabos, os anjos, as figuras mitológicas, lendárias, alegóricas, e osheróis de cavalaria, são todas tipos sociais. A sua psicologia é uma
psicologia de grupo social, e não uma psicologia individual. Através delas é-nos dado o comportamento e a mentalidade do Fidalgo, do Escudeiro, do Frade, da Alcoviteira,
etc… Mas nem por serem tipos sociais estas personagens deixam de ser indivíduos vivos, de impressionante presença.
Os tipos vicentinos abrangem o conjunto dasociedade portuguesa da sua época. Na base está o camponês “pelado”por fidalgos e clérigos, a cuja voz Gil Vicente dá acentos comoventes. No cume estão os clérigos de vida folgada e os fidalgos presunçosos e vãos, que vivem, uns e outros, de confiscar o trabalho alheio, ajustados pelos homens de leis e pelos funcionários, que fabricam “alvarás” em benefício dos seus afilhados.

Análise do Auto daÍndia de Gil Vicente
O Auto da Índia (1509), apresentado em Almada perante a rainha D. Leonor , é o primeiro texto teatral onde é representada uma intriga, uma história completa, e ainda por cima actual. Se o tema do adultério é intemporal, as circunstâncias "deste" adultério são as da primeira década do século XVI, quando, por trás da glória e da fachada épica da expansão ultramarina, era já possívelperceber as profundas alterações, nem todas positivas, que essa expansão estava a provocar na sociedade portuguesa. A mesma ideia será expressa sessenta anos mais tarde por Camões, no episódio do "Velho do Restelo".
Há outros aspectos que distinguem este auto dos anteriores. Além de ser o primeiro a contar uma intriga, com princípio e fim, é também a primeira "farsa" escrita por Gil Vicente e aprimeira das suas peças escrita maioritariamente em português. No Auto da Índia a única personagem a falar em castelhano é o "Castelhano", com o objectivo óbvio de conseguir o efeito de real. Por último, é também o primeiro auto a pôr em cena personagens femininas.
Estrutura interna 
Como vimos, o Auto da Índia é o primeiro auto de Gil Vicente que representa uma intriga com princípio e fim. Poresse motivo é fácil identificar a sua estrutura tripartida. A acção mostra ao público o adultério da Ama, o que exige a ausência do Marido.
Assim, a 1ª parte corresponde à fase de expectativa da Ama, relativamente à partida ou não do Marido, e à distensão que se segue à confirmação da saída da armada e que ela aproveita para confessar a sua predisposição ao adultério. Vai até ao verso 96. A 2ªparte é a fase do adultério. Sucessivamente, entram em cena os pretendentes, Castelhano e Lemos; o adultério consuma-se; a Ama revela, sem qualquer escrúpulo ou pudor, toda a sua leviandade, falsidade e imoralidade.
A partir do verso 393 entramos na 3ª parte, que corresponde à chegada do Marido. Desaparecem as condições que propiciaram o adultério e a Ama leva ao auge a sua hipocrisia.
Poderá...
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