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Metodologia de Shigeo Shingo (SMED): análise crítica e estudo de caso

Miguel Sugai Richard Ian McIntosh Olívio Novaski

Resumo
A metodologia de Shigeo Shingo (SMED – single minute exchange of die) foi publicada pela primeira vez no Ocidente em 1985, e é referência principal quando se trata de redução dos tempos de setup de máquinas. A metodologia enfatiza a separação e a transferência deelementos do setup interno para o setup externo. As diversas aplicações industriais e os artigos existentes indicam a relevância do tema e da metodologia. Este artigo propõe-se a analisar criticamente o SMED revelando as lacunas da metodologia. Particularmente, discutem-se os problemas associados aos períodos de desaceleração e aceleração relacionados às atividades de setup, verificando-se que aseparação e a conversão de tarefas não são suficientes. Para tanto, apresenta-se um estudo de caso em uma linha de produção.
Palavras-chave: Virada de produção. Setup. Período de aceleração. Sistema Toyota de Produção.

1 Introdução
O sistema Toyota de produção (STP), criado por Eiji Toyoda e Taiichi Ohno na década de 1950, ganhou seus primeiros contornos na literatura acadêmica com o professorYasuhiro Monden. Com o STP busca-se, principalmente, a eliminação de desperdícios, e para tal, foram criadas técnicas como: a produção em pequenos lotes, redução de estoques, alto foco na qualidade, manutenção preventiva, entre outras. A produção em pequenos lotes e a redução de estoques incentivam enormemente ações no sentido da redução do tempo de setup, um capacitador da produção puxada, deacordo com Godinho Filho e Fernandes (2004). As técnicas aplicadas na Toyota foram todas desenvolvidas internamente, com exceção do SMED, sistema para redução de tempo de setup de máquinas, elaborado em colaboração com o consultor Shigeo Shingo (WOMACK; JONES, 1998). Ao realizar as primeiras análises sobre o STP, Monden (1984) apontava que o sistema de Shingo, além de ser um conceito inovadorgenuinamente japonês, seria também uma teoria muito comum cuja prática seria difundida na engenharia industrial em todo o mundo. Cusumano (1989), porém, comentava que o setup rápido é originário dos Estados Unidos. Conforme este autor, Ohno conheceu em meados dos anos 1950 as prensas de setup rápido da Danly Machine em Chicago e descobriu a grande solução que a redução do tempo de setup oferecia para aprodução em pequenos lotes e redução de estoques. Contratou Shingo para desenvolver a metodologia na Toyota. Os estudos sistemáticos realizados por Shingo foram descritos em seu livro SMED – revolution in manufacturing – que apresenta uma breve estrutura conceitual, descreve algumas técnicas que auxiliam na metodologia e oferece diversos exemplos de aplicações do SMED em empresas. Ao apresentar ametodologia, o autor procura estimular o leitor a aplicar o SMED por meio de exemplos e com transcrição de depoimentos de gerentes industriais de diversas empresas. A primeira publicação do SMED no Ocidente foi em 1985, mas o conceito de redução de tempos de setup promovido pelos japoneses já provocava uma repercussão tanto em publicações (HALL, 1983; PLOSSL, 1985; HAY, 1992) como em aplicaçõesindustriais, na qual a metodologia SMED é citada em revistas especializadas (JOHANSEN; McGUIRE, 1986; QUINLAN, 1987; SEPEHRI, 1987; NOAKER, 1991). Este artigo propõe-se a realizar uma análise crítica do SMED, concentrando-se em alguns detalhes da metodoGest. Prod., São Carlos, v. 14, n. 2, p. 323-335, maio-ago. 2007

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Sugai et al.

logia. Para isso, no item 2 apresentam-se aspectos geraisdo SMED, como sua elaboração e sua difusão no Brasil; no item 3 são feitas as análises críticas do SMED, em seus diversos aspectos; no item 4 apresentam-se os aspectos do setup não considerados no SMED; no item 5 apresenta-se um estudo de caso em uma empresa metal-mecânica; no item 6 encontram-se as conclusões do artigo; finalmente, no item 6 encontram-se as conclusões do artigo.

2 SMED –...
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