Gerard fourez

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A CONSTRUÇÃO DAS CIÊNCIAS: Introdução à filosofia e à ética das ciências. Gerard Fourez teóricos o equivalente da lei da alavanca. CAPÍTULO 3 O MÉTODO CIENTÍFICO: ADOÇÃO E REJEIÇÃO DE MODELOS Teorias, leis, modelos De acordo com o modelo mais apresentado nos manuais do secundário1 e muitas vezes na universidade, supõe-se que, com base em observações, "propõem-se", ou se "deduzem", ou se"descobrem" leis científicas. Por exemplo, diz-se que baseandose na observação de alavanca poder-se-á considerar essa representação como uma tese inicial, para aplicar o mesmo método dialético utilizado no capítulo anterior. Pode-se deduzir leis das observações? Um físico, um pouco filósofo também, Ernst Mach (aquele que deixou o seu nome ligado à barreira do som) examinou detidamente esse problema em seulivro: La mécanique, exposé historique et critique de son développement (1925, p. 1 5-30) [A mecânica, exposição Histórica e crítica de seu desenvolvimento]. Esta obra, por seus desenvolvimentos históricos e críticos, contribuiu para recolocar em questão a física newtoniana, e desse modo preparar os desenvolvimentos da teoria da relatividade. Ela mostra como, cada vez que se pretende deduzir deuma observação a lei da alavanca, na verdade ela já estava implícita no próprio discurso da observação. Por exemplo, falando de ponto de apoio, de distância em relação ao ponto de apoio, de equilíbrio, de centro de gravidade, já se aceitou implicitamente nesses termos
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Não se deduzirá portanto a lei da alavanca das observações, pois desde esse momento a lei já tinha sido injetada pelostermos teóricos utilizados. No entanto, tendo em vista a lei da alavanca (ou alguma coisa do gênero), torna-se possível efetuar observações que indicarão de que modo as forças a serem aplicadas à alavanca são proporcionais às distâncias do ponto de apoio. Em outros termos, ela pode ser "verificada", ou seja, ser constatado o seu bom funcionamento, uma vez admitidos um certo número de pressuposições.De modo mais geral, desde o momento em que se aborda uma situação, tem-se sempre uma certa idéia da maneira pela qual podemos representá-la: adoramos um "modelo". Com base nessas idéias, pode-se ver até que ponto "isto funciona". Se, por exemplo, considero uma lei sobre a queda dos corpos, precisarei, para aplicá-la, e para que ela tenha um sentido, de certos conceitos teóricos, por exemplo, parao de direções privilegiadas que são o alto e o baixo. As leis ou os modelos teóricos se "verificam" utilizando-se os conceitos que lhes são ligados. Em outros termos, verificar uma lei é menos um processo puramente lógico do que a constatação de que a lei nos satisfaz. A ciência é subdeterminada Uma maneira relativamente simples de ver que não se pode deduzir uma lei baseando-se em uma série deobservações empíricas é considerar (segundo os filósofos da ciência Duhem, 1906 e Quine, 1969) que, sendo dado um número finito de observações empíricas, existe um número infinito de teorias correspondentes a elas. Para compreender por que, comparemos as observações empíricas aos desenhos de

. Cf., por exemplo, o programa do curso de ciências do ensino católico belga. Essa representação é umasimplificação da de Claude Bernard, 1934.

histórias em quadrinhos: é possível construir um número infinito de histórias que serão compatíveis com os desenhos. De maneira similar, sendo colocado um número finito de dados empíricos, pode-se encontrar uma infinidade de leis ou modelos que lhes correspondem. As teorias científicas são subdeterminadas neste sentido de que não sã completamentedeterminadas proposições empíricas das quais, de acordo com uma epistemologia ingênua, teríamos tentado extraí-las. Este "teorema" segundo o qual é possível ter um número infinito de teorias para um número finito de proposições empíricas é importante porque relativiza as nossas representações científicas. Ele indica que não se pode dizer jamais que os resultados empíricos nos "obrigarm” a ver o mundo de...
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