Geografia

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MÍDIA E MEIO AMBIENTE: LIMITES E POSSIBILIDADES

CIDOVAL MORAIS DE SOUSA FRANCISCO ASSIS MARTINS FERNANDES
Departamento de Comunicação Social Universidade de Taubaté

RESUMO
A proposta deste trabalho é oferecer uma contribuição à discussão sobre as relações mídia-meio ambiente. Parte-se de uma breve revisão da literatura mais recente a respeito do assunto, acrescentando exemplos atuais dotratamento dispensado pelas grandes redes de comunicação aos temas ambientais. O texto se alinha a uma perspectiva crítica, que entende os meios de comunicação como integrantes de uma complexa cadeia industrial, cuja principal função, na sociedade capitalista, é produzir lucro e, conseqüentemente, reproduzir o sistema que a sustenta. A reflexão se desenvolve em três itens que se completam: noprimeiro é apresentado um panorama dos estudos sobre a presença, na mídia, das questões ambientais; no segundo, discute-se a função pedagógica da mídia, seus limites e possibilidades; e no terceiro, como contraponto aos dois primeiros, é apresentado um modelo, ainda em construção, de jornalismo cidadão, que tem na democracia, na participação, no compromisso ético com a vida no planeta suas bases desustentação.

PALAVRAS-CHAVE: mídia; educação ambiental; cidadania

INTRODUÇÃO Na sociedade atual, quando as Ciências Humanas estão voltadas para os valores do meio ambiente, o fenômeno da globalização padroniza os interesses dos habitantes do Planeta, torna-se necessário que se busque analisar criticamente os fatos comunicacionais na sua interface com a economia, com a ecologia, uma vez que amídia perpassa tudo, desde o contexto sócio-histórico em que ocorrem os fatos, até os processos de produção, transmissão e recepção das formas simbólicas que têm o poder de manipular os seres humanos. A partir dessas premissas é que elaboramos esta análise. Não é um trabalho conclusivo; é uma provocação. Mais do que esgotar o assunto, a intenção foi contribuir para a consolidação de uma educaçãoambiental crítica e cidadã, capaz de transformar a sociedade em que vivemos. A pretexto do que se fala O interesse da mídia pelas questões ambientais é tão recente quanto a organização do movimento ambientalista, particularmente no Brasil. A existência de veículos especializados, impressos ou eletrônicos, dedicados hoje ao tema, não significa, ainda, a consolidação de uma tradição. A ConferênciaRio-92 é,

para muitos pesquisadores, um marco divisor de águas e revelador da natureza paradoxal da cobertura midiática. Se por um lado tivemos uma superexposição multimídia dos assuntos tratados na Conferência da ONU, no Rio, por outro, poucos dias depois do evento, como atesta Ramos (1996, p. 146), a temática foi praticamente esquecida “como se os problemas ambientais tivessem desaparecido de umahora para outra”. O autor conclui, a contragosto, que com esse movimento da imprensa, ela acaba reforçando a tese que tomou conta dos grupos mais conservadores da sociedade brasileira, segundo a qual a ecologia não passa de um modismo. As conferências da Biosfera (Paris, 1968) e Meio Ambiente (Estocolmo, 1972) são marcos importantes da agenda ambiental na mídia e exerceram, sem dúvida, influênciasobre alguns poucos profissionais. No Brasil, é o caso de Randau Marques, que chegou a ser preso pela Operação Bandeirantes, no auge do Regime Militar, por denunciar a contaminação de gráficos e sapateiros por chumbo, na cidade de Franca, berço dos curtumes paulistas. Ele, também, cobriu para o grupo Estado, de dezembro de 73 a março de 74, no Rio Grande do Sul, uma das grandes polêmicasambientais: o fechamento da fábrica de celulose Borregaard, que estava poluindo o Rio Guaíba. Num texto sobre os fatos desse período, Villar (2001) escreve que a imagem mais forte da época não é a da chaminé lançando fumaça no ar, mas a foto, publicada em vários jornais, do estudante universitário Carlos Ayerel, em cima de uma acácia, tentando impedir o

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