Geografia teoria e crítca

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GEOGRAFIA:
Teoria e crítica
O saber posto em questão
Ruy Moreira (org.)

O espaço geográfico intervém de modo crescente no esquema da reprodução estrutural do capitalismo, ao mesmo tempo que o saber geográfico permanece ao nível público como uma "práxis" de espaços "apolíticos": a Escola, os Departamentos Universitários e os organismos estatais de pesquisas e planejamento espaço-territorial.Mas a Escola e o Estado encontram-se tão incorporados à reprodução do capitalismo quanto a renovação contínua do aparato técnicocientífico, de vez que Escola e Estado têm a mesma raiz da Fábrica: a divisão capitalista do trabalho. Ao despojar o operariado do conjunto dos meios de produção o capital logra separar o trabalho intelectual do trabalho manual e o trabalho de direção do trabalho deexecução, se apropria igualmente do sabere do poder. Constitui-se o capital por esta via o senhor moderno dos homens, da natureza, do espaço, da sociedade. O que é então o espaço geográfico e que lugar ocupa na reprodução dos homens e do capital? Que forma de poder é este saber chamado Geografia? Que geografia é a "geografia que se ensina"? Sendo a aula de Geografia a passagem de uma dada "visão demundo" aos alunos, por gerações sucessivas, uma dada "configuração de sociedade", que concepção de mundo e de sociedade se estará passando nas escolas brasileiras? Que papel ideológico tem cumprido a Geografia?Se não é o planejamento que planeja o capital, antes o capital que planeja o planejamento, como adverte Paul Baran, qual tem sido a função social do geógrafo e do planejamentoespaço-territorial? Conferir à Geografia o necessário rigor teórico-epistemológico que se requer a toda ciência, sem contudo esconder o caráter político de todo o saber em uma sociedade estruturada em classes, eis do que trata profusamente este livro.

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INTRODUÇÃO O SABER GEOGRÁFICO: PARA QUE/QUEM SERVE? Ruy Moreira
Reúne esta coletânea alguns dos textos de geógrafos brasileiros vindos à luz no período1978-1981. Refletindo o plano geral dos anseios de liberdade democrática e justiça social que conduzem ao extraordinário ascenso político das organizações de massas operárias e populares — 1978 é o ano das greves no ABC — atravessa-os um certo propósito de crítica e superação daquela geografia da imagem popular que Yves Lacoste denomina "geografia do professor" e "geografia dos estados maiores doEstado e do empresariado". Não se precisa advertir um tal propósito de conferir ao saber geográfico uma outra "práxis" — identificada esta com a construção de uma sociedade estruturalmente capaz de abrir soluções reais à problemática popular, dos homens, para a qual a vigente mostrou-se historicamente incapaz — cada autor aqui presente formula e situa suas ideias em campos político-ideológicos nemsempre concordantes, nisto precisamente residindo uma das riquezas da coletânea. Não se verá — desnecessário seria dizer, não fora o episódio recente da "nova geografia" gestada nos anos 1968-1978 — qualquer pretensão de uma "revolução na geografia". Simplesmente porque só é real a transformação que se opere na estrutura objetiva da sociedade e com esta esteja incorporada, quando é o tema, asideias. Antes, é esta realidade objetiva e seu movimento histórico que se deseja pôr à mesn, submeter à dissecação, ver revelada sem as máscaras que dissimulam suas raízes de classe. Neste conjunto de textos se evidencia uma interinfluência, sugerindo um subjacente debate no fluxo do qual cada autor se põe e repõe, convergindo e se separando, avançando em conjunto. Mais que isto, sugerindo um plano deindagação ansiosa da história con creta dos homens, no interior da qual, porque só então expressivo e transparente, se indaga
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acerca do saber geográfico: "a geografia, o que é, para que serve e a quem serve?" Ainda mais, sugerindo a eleição do caráter histórico-concreto da sociedade de nossos dias e dos caminhos de sua superação histórica, o contexto da luta de classes, por conseguinte,...
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