Geografia cultural no brasil

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GEOGRAFIA CULTURAL NO BRASIL RESUMO O objetivo deste trabalho é mostrar um pouco mais da formação e do desenvolvimento da geografia cultural no Brasil. Consiste em abordar a história da geografia cultural, seus temas e objetos de estudos e explicitar a sua influência no território brasileiro. Palavras-Chave: Geografia Cultural; Brasil. 1. INTRODUÇÃO “A geografia cultural é atualmente uma das maisexcitantes áreas de trabalho geográfico. Abrangendo desde as análises de objetos do cotidiano, representação da natureza na arte e em filmes até estudos do significado das paisagens e a construção social de identidades baseadas em lugares, ela cobre numerosas questões. Seu foco inclui a investigação da cultura material, costumes sociais e significados simbólicos, abordados a partir de uma sériede perspectivas teóricas” (McDowell, 1996 apud Zanatta, 2007, p. 226). No Brasil, sua divulgação se inicia apenas em 1990, devido a diversas razões como a força da tradição empiricista, profundamente presa a uma pretensa leitura objetiva da realidade e, a partir do final da década de 1970, da perspectiva crítica, calcada em um materialismo histórico mal assimilado. A heterogeneidade culturalbrasileira, conseqüência da grande mistura de raças nativas e estrangeiras faz do Brasil, um excelente campo para estudos da geografia cultural.

2. ASPECTOS HISTÓRICOS O termo cultura foi inserido pela primeira vez pelo alemão Friedrich Ratzel em sua obra Antropogeografia, onde analisou os fundamentos culturais da diversidade na distribuição dos homens e das civilizações. Na França, Vidal de LaBlache, formou o conceito de gênero de vida, o qual demonstraria uma relação entre população e recurso contribuída historicamente. Pode-se definir esse conceito como o conjunto de técnicas, hábitos e costumes próprios de uma sociedade que possibilitam o aproveitamento dos recursos naturais disponíveis. Sustentando a idéia de que a ação humana é influenciada pela contingência, para Vidal o meio físicoexercia ascendência sobre certos gêneros de vida, mas os grupos humanos também nele podiam intervir dependendo de seu estágio civilizatório, cultural e seu desenvolvimento tecnológico (Zanatta, 2007, p. 227). Mas foi nos Estados Unidos, pela obra de Carl Sauer e de seus discípulos que a geografia cultural ganhou identidade. A Escola de Berkeley foi fundamental na difusão por várias universidades,incluindo as brasileiras. Os estudos de Carl Sauer foram calcados no historicismo, ou seja, valorizava-se o passado em detrimentos do presente, assim como a contingência e a compreensão. Foram privilegiados cinco temas principais: cultura, paisagem cultural, áreas culturais, história da cultura e ecologia cultural. As críticas à Escola de Berkeley, provindas dos geógrafos da geografiateorético-quantitativa se davam pelo pouco interesse em uma visão pragmática e a ênfase no estudo de sociedades tradicionais. Já os geógrafos ligados à perspectiva do materialismo histórico recriminavam Sauer pela ausência de uma

sensibilidade social, critica, nos estudos de grupos dominados pela exploração capitalista. Internamente, as criticas se referiam ao próprio conceito de cultura adotado como umaentidade supra-orgânica, com suas próprias leis e pairando sobre os indivíduos sem autonomia. 2.1 A Renovação da Geografia Cultural No final da década de 1970 e durante a década de 1980, a geografia cultural sofreu uma renovação aonde o tradicionalismo de Berkeley foi submetido a críticas de diversos geógrafos ligados a distintos caminhos teóricos ou de experiências em diferentes contextosculturais. O processo de renovação se fez no contexto de valorização da coluna da cultura, a denominada “virada cultural”. Em conjunto de mudanças em escala mundial ressalta a dimensão cultural dos processos em ação. Mitchell (2000) citado por Corrêa e Rosendahl (2003), aponta algumas: as mudanças na esfera econômica, o fim da denominada Guerra Fria, a ampliação dos fluxos migratórios da periferia para...
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