Geoeconomica

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QUE FAZER COM A GEOGRAFIA ECONÔMICA NESTE FINAL DE SÉCULO?*

Claudio A. G. Egler** Introdução A Geografia Econômica, originalmente formulada como Geografia Comercial na Inglaterra do final do seculo XIX, encontra-se em uma encruzilhada depois de cerca de cem anos de existência. O impasse resulta, em boa parte, da polarização entre economistas que defendem o fim da Geografia e geógrafos queacreditam que a Economia perdeu sua importância explicativa e normativa diante da crise ambiental e política. A oportunidade de discutir o papel das formulações do historiador Kondratieff sobre o comportamento cíclico da economia capitalista e seus efeitos sobre o espaço geográfico, não pode ser perdida para elaborar uma reflexão crítica acerca dos rumos atuais da Geografia Econômica, procurandoavaliar seu papel diante da complexidade do mundo contemporâneo. Neste texto, cuja proposta está muito longe de ser conclusiva, aponta-se a importância e o desafio para a Geografia Econômica de partir de análises diacrônicas, como por exemplo as ondas longas de inovação, para realizar sínteses sincrônicas, como as relações centro e periferia. O texto procura mostrar que estas concepções, que foramconstruídas sobre situações de crise no passado, podem servir como ponto de partida para a compreensão da profundidade e extensão do processo de reestruturação da economia mundial. A diacronia das ondas longas de inovação A teoria das ondas longas de inovações foi formulada originalmente por Kondratieff (1935) a partir da análise da crise da década de 1920. Sua concepção original partia do ciclo"natural" de substituição dos bens de capital de longo período de amortização, que repercutia diretamente no comportamento, também cíclico, do mercado financeiro. Para Kondratieff este processo de expansão/retração da base produtiva ocorreria em períodos regulares de aproximadamente cinqüenta anos, divididos

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Trabalho apresentado no Simpósio Internacional “Lugar sócio-espacial, mundo” (SãoPaulo, setembro de 1994), publicado nos Textos LAGET 5 p. 5-12 * Prof. do Departamento de Geografia da UFRJ e pesquisador do LAGET e do CNPq

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em uma fase "A" expansiva e em uma fase "B" recessiva. seguidores definiram, grosso modo, a seguintes ondas longas:

Kondratieff e seus

-------------------------------------------------------Onda Longa Kondratieff Fases +-----A----+------B-----+ I1780-90 1810-17 1844-51 II 1844-51 1870-75 1890-96 III 1890-96 1914-20 1940-45 IV 1940-45 1967-73 ? -------------------------------------------------------Schumpeter (1939) também trabalhou a conjunção de investimentos de longa maturação em períodos relativamente concentrados no tempo, embora sua explicação para os ciclos longos estivesse focada na introdução de um feixe de inovações primárias queabrisse uma nova fronteira para os negócios na fase expansiva e que gradativamente fosse perdendo seu dinamismo na fase recessiva. Para Schumpeter, estas inovações primárias relevantes foram a metalurgia do ferro e o tear mecânico no primeiro ciclo; a máquina a vapor, a ferrovia e o processo Bessemer de fabricação de aço no segundo; a energia elétrica, a indústria química e de materiais sintéticose o início da automobilística no terceiro. Os neo-schumpeterianos assumem o quarto ciclo nas inovações da indústria automobilística, petroquímica, aeronáutica e nuclear do após-guerra e prevêem um quinto ciclo de inovações com base na microeletrônica, informática, biotecnologia e novos materiais para os anos futuros. A importância destas concepções está no rompimento com a visão neoclássica de quea dinâmica do capitalismo é marcada pela estabilidade a longo prazo, entretanto seus principais críticos, embora concordem com a instabilidade do investimento e com a conjunção dos feixes de inovações primárias no tempo, duvidam da regularidade "natural" de cerca de cinqüenta anos na ocorrência do processo de crise e reestruturação da economia mundial. A retomada das análises fundadas nas ondas...
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