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A política econômica do Governo Lula no primeiro ano de mandato:...

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A política econômica do Governo Lula no primeiro ano de mandato: perplexidade, dilemas, resultados e alternativas
Gentil Corazza Fernando Ferrari Filho Professor Titular de Departamento de Economia da UFRGS e bolsista da CAPES. Professor Titular do Departamento de Economia da UFRGS e Pesquisador do CNPq.

Resumo
Notexto, procura-se fazer uma avaliação crítica da política econômica adotada pelo Governo Lula em seu primeiro ano de mandato. Discute-se, inicialmente, a perplexidade que a mesma provocou em um significativo número de economistas críticos da política econômica anterior, que esperavam ver as propostas de mudança apregoadas pelo novo governo se materializarem também em medidas concretas da políticaeconômica. Procura-se, depois, apresentar os dilemas colocados pelas difíceis conjunturas interna e externa da economia brasileira no início do Governo, bem como os resultados do primeiro ano de sua vigência. O artigo conclui apontando algumas alternativas de política econômica consideradas viáveis de implantação já no início do Governo.

Palavras-chave
Política econômica do Governo Lula;fragilidade externa; crescimento econômico sustentável.

Abstract
This articles criticizes the first year of Lula’s economic policy. On the one hand, it shows that the Lula’s promises of change (such as, to solve the social problems of the country, to assure self-sustained growth, to reduce the unemployment rate and to promote the distribution of wealth) have turned into simple rhetoric,

Indic.Econ. FEE, Porto Alegre, v. 32, n. 1, p. 243-252, maio 2004

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Gentil Corazza; Fernando Ferrari Filho

especially in terms of economic policy, which, up until now, draws on the essential characteristics of the previous Government. At the same time, it presents the main results of Lula’s economic policy in 2003. On the other hand, the article presents some policy recommendations aimed atreducing the problems of foreign vulnerability and fragility so important to keep inflation under control and assure long-term economic growth and social development in Brazil. Os originais deste artigo foram recebidos por esta Editoria em 22.01.04.

Introdução: perplexidade e dilemas
No discurso de posse do Presidente Lula, realizado no Congresso Nacional, ele enfatizou que seu governopromoveria as mudanças necessárias para atacar as questões sociais do País e para retomar o crescimento econômico e, assim, resolver os problemas de desemprego e distribuição de renda. No entanto, o Presidente acentuou também que as mudanças ocorreriam ao longo de seu mandato, ou seja, que seriam lentas e graduais. Definidos os contornos da política econômica alicerçada na tríade câmbio flutuante, metasde inflação e regime fiscal, a primeira reação de um significativo número de economistas críticos dessa política econômica — diga-se de passagem, implementada ao longo do segundo Governo Fernando Henrique Cardoso — foi de perplexidade, pois, como outros tantos brasileiros, esperavam ver as propostas de mudança apregoadas pelo novo governo se materializarem também em medidas concretas da políticaeconômica. Depois, quando as coisas ficaram mais claras, a perplexidade transformou-se em indignação e crítica. Por que, logo após uma eleição que despertou tantas esperanças, iriam o Presidente e a equipe econômica implementar medidas econômicas tão diferentes das esperadas pela população que o elegeu? Estariam receosos dos riscos de uma política econômica alternativa face às dificuldadesconjunturais e estruturais da economia brasileira? Ou estariam condicionando o ritmo da mudança econômica, mais lento do que o desejado, à melhora das situações interna e externa do País? Ou, ao contrário, a equipe econômica estaria sinalizando que, em termos de política econômica, não haveria mudança simplesmente porque

Indic. Econ. FEE, Porto Alegre, v. 32, n. 1, p. 243-252, maio 2004

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