Gêneros literários - questões problemáticas para o ensino

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 7 (1699 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 23 de outubro de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Gêneros Literários

Para começarmos a discutir categorias e/ou Teorias Literárias é preciso, antes de mais nada, pensarmos sobre as possíveis classificações acerca dos Gêneros Literários. Portanto, primeiramente, são importantes as reflexões do filósofo grego Aristóteles, sobretudo em seu trabalho intitulado Poética[1].
Aristóteles apresenta, na primeira parte de seu tratado, oconceito de poesia (Seria uma espécie de imitação das ações – aqui não se deve confundir, porém, com cópia ou reprodução fiel da realidade, mas sim uma percepção do geral a que filosoficamente aspira; criação autônoma e transfiguração heterogênea). Na segunda parte, temos o estudo da tragédia (um dos gêneros da poesia, mas dramática – ou seja: o teatro) em comparação com a epopéia (poema heróiconarrativo que costumava exaltar os feitos de um, ou vários, indivíduos – reais ou lendários. A Ilíada ou a Odisséia, de Homero, por exemplo – que também era composta em versos). De maneira geral, Aristóteles nos propõe uma teoria sobre a origem dos gêneros literários e as diferentes formas de representação textual a partir do processo mimético (representação) que o texto literário provocaria. OsGêneros Literários só seriam, portanto, distinguíveis pelos meios da imitação (ritmo, canto e/ou verso) e pelos objetos que imitam (pelas personagens que são superiores ao próprio homem, como na epopéia e na tragédia; ou pelas personagens que lhe são inferiores, como na paródia e na comédia – e do “eu” da poesia lírica), além dos modos como são produzidos essas imitações (narrativa, como na epopéia, edramática, como na tragédia e na comédia). Grosso modo, essas categorias estipuladas por Aristóteles, irão perdurar durante muito tempo como referencial para a compreensão dos Gêneros Literários. Para tanto, basta lembrarmos-nos da influência (seja ela negativa, seja ela positiva) de Aristóteles na Idade Média e do pensamento grego, de um modo geral, não só no Renascimento, mas também noIluminismo.
Contudo, mesmo com as influências que o mundo grego incutiu em vários pensadores, de várias épocas distintas, podemos notar que sempre caminhou junto à tradição, ou revalorização deste mundo clássico, um sentimento de ruptura (de diferentes forças e motivações). Portanto, confundia-se a compreensão e assimilação do pensamento clássico a sua própria “superação”. Na literatura, e não só emsua produção, mas em sua interpretação, tal movimento é bastante claro a partir do século XVIII – com o advir do Romantismo. Escapando, por hora, de especificações didáticas/cronológicas como Romantismo, Arcadismo, Simbolismo e etc., e se focando mais na trajetória sucinta pretendida dos Gêneros Literários, o século XVIII é de suma importância devido ao surgimento, pelo modelo que entendemos atéhoje em dia, do romance – a epopéia burguesa por excelência. E aqui já notamos o movimento de reinterpretação existente na literatura. Mas, vale lembrar, que mesmo os romances de cavalaria do século XII já denunciavam, a priori, uma releitura da elevada epopéia grega – os versos vão dando lugar a prosa (e até, poderíamos ir mais além, se, retornando um pouco, pensarmos nas línguas vulgaressubstituindo o latim – como é o caso da Divina Commedia de Dante, já publicada em uma língua nacional ou popular, o italiano: é o mundo clássico, greco-romano, se rendendo ao mundo moderno). Portanto, essa sucessão de um gênero a outro é sentida no século XVIII não simplesmente pela consolidação do romance, mas pela ruptura gradativa que passa a consumir as barreiras literárias que perduravam,praticamente, desde Aristóteles e aonde, grosso modo, inauguraria um segundo momento para a classificação dos Gêneros Literários. Essa nova fase, por assim dizer, é muito bem sintetizada pelo prefácio que Vitor Hugo faz a sua peça Crowwell e que tem por título Do Grotesco e do Sublime. Esse ensaio nos traz uma visão relativizada sobre a questão do belo e, até mesmo, da literatura e suas classificações (um...
tracking img