Gêneros literários infantis

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  • Publicado : 10 de dezembro de 2012
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Espécies de narrativas infantis
As narrativas infantis abrangem várias espécies literárias, que podem ser agrupadas quanto à origem, em folclóricas e artísticas. Na primeira, incluem-se as histórias criadas coletivamente pelo povo em diferentes épocas, como fábulas, contos populares, lendas e contos de fadas tradicionais. Na segunda, estão as obras escritas por autores identificadosnominalmente, abrangendo contos de fadas modernos, textos infantis que, por sua brevidade, simplicidade de enredo e relação estreita entre discurso e imagem, são denominados histórias curtas e narrativas formadas somente por imagens.
Cada uma das espécies pode constituir-se objeto de leitura para as crianças em processo de alfabetização, segundo seus interesses. É importante que o professor conheça os váriostipos de narrativas, a fim de que coloque à disposição de seus alunos textos diversificados quanto à espécie, ao assunto e ao tema, para que eles, diante das opções oferecidas, procedam à escolha. Com o objetivo de colaborar com o professor na escolha de obras a serem sugeridas para seus alunos, apresenta-se a seguir um levantamento desses tipos de textos, mostrando-se suas principaiscaracterísticas.
Fábulas
A fábula, em sentindo amplo, pode ser definida como uma narrativa curta com ações protagonizadas por vegetais, objetos, animais e seres humanos, que, apresentando uma moral implícita ou explícita, tem como função divertir e instruir. Sua estrutura divide-se em duas partes: (1) a narrativa, também chamada de corpo, em que se revelam as ações realizadas pelos seres acima citados e,(2) a moral, denominada de alma, que explicita o ensinamento pretendido. A fábula apresenta um discurso alegórico resultante da harmonia das duas partes de sua estrutura. Dessa forma, a leitura de obras como “O cordeio e o lobo”, de La Fontaine¹, evidencia como ingênuo e o inocente podem tornar-se presa fácil do prepotente; “A raposa e as uvas”, também de La Fontaine, mostra o ridículo dopresunçoso; “O lobo e o gou” e “O lobo e o cão”, de Esopo², ensinam, respectivamente, que não se deve esperar recompensa de homens maus e que a liberdade do ser humano tem valor.
A fábula, muitas vezes, é confundida com o apólogo e a parábola, conforme aponta Massaud Moisés, na medida em que essas modalidades literárias também se caracterizam por apresentar, implícita ou explicitamente, uma moral. Paradiferenciar os três modelos, o autor refere que “há quem as distinga pelas personagens: o apólogo seria protagonizado por objetos inanimados (plantas, pedras, rios, relógios, moedas, estátuas, etc.), ao passo que a fábula conteria de preferencia animais irracionais, e a parábola, seres humanos” (Moisés, 1982, p.34). Ele também aponta que na Bíblia se encontram muitos exemplos de pérolas, como a do“Semeador” e a do “Filho Prodígio”, entre outras.
A origem da fábula perde-se ao longo da história do homem, mas parece ponto de concordância, entre os estudiosos desse assunto, que ela já teria existência quase mil anos antes de Esopo, no Egito e na Índia. Atribui-se a Esopo (século VI a. C.) sua introdução na Grécia e a Fedro (século I a. C.) em Roma, através da tradução do fabulário de Esopo. Noséculo XVII, o francês Jean de La Fontaine premia o povo francês com sua coleção de fábulas, muitas delas plasmadas nos modelos de Esopo e de Fedro.
No Brasil, Monteiro Lobato também dá atenção ao gênero. No seu livro Fábulas (v. 3, s.d ), ele reconta algumas narrativas dos fabulistas clássicos, aproximando-as da realidade do leitor brasileiro. Exemplo de tal aproximação é a fábula “A menina dobalde”. Lobato, ao apresentá-la, altera o nome da personagem principal e acrescenta comentários das personagens de O Sítio do Picapau Amarelo a respeito da moral da fábula. É interessante observar que essa história aparece no antigo livro indiano Calila e Dimna, como “O eremita, a jarra e o mel”, no fabulário de Esopo, como “A menina do leite”, e no de La Fontaine, com o nome de “A moça e o...
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