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ntos DO MODELO KEYNESIANO-FORDISTA AO SISTEMA DE ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL: MUDANÇAS NO PERFIL DO TRABALHO E NA QUALIFICAÇÃO

Ricardo Afonso Ferreira de VASCONCELOS PGTE – Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Domingos Leite Lima Filho PGTE – Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)

RESUMO: Nas ultimas décadas do século XX ocorreram significativas mudanças no sistemaprodutivo e na estrutura da sociedade e economia capitalista. O modelo Keynesiano e fordista passou a ser questionado pelo neoliberalismo. Desenvolveu-se o modelo de produção flexível e as relações de trabalho foram seriamente afetadas e modificadas. E tais alterações ocorridas na relação entre capital e trabalho revelaram-se através de uma mudança de correlação de forças nitidamente desfavorável aostrabalhadores, pois, o término do século passado e início do novo milênio revelaram uma nova roupagem de dominação capitalista baseada na flexibilização, na produção e nas relações de trabalho e, consequentemente, também trouxe a precarização do trabalho, traduzida em novos cenários de desemprego estrutural, desregulamentação social e da legislação do trabalho, aumento do emprego temporário eterceirização. Por conseguinte, novas exigências de perfil qualificação do trabalhador foram impostas e consequentemente, tornaram o mundo do trabalho mais hostil às camadas exploradas e excluídas da sociedade capitalista. Portanto, além de um breve estudo sobre as mudanças ocorridas no mundo do trabalho desde o modelo produtivo Taylorista-Fordista até o modelo de acumulação flexível, pretende-seanalisar, a questão do novo perfil de qualificação do trabalhador ligado aos conceitos de competência e empregabilidade, relacionando-o com a política de educação profissional adotada em meados dos anos 90 no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Mudanças no trabalho; competência e educação profissional.

1. Introdução

Este artigo pretende discutir algumas das principais mudanças ocorridas no mundo doTrabalho e a partir delas refletir sobre a situação e desafios no que concerne a formação dos trabalhadores na atualidade. O artigo está dividido em três partes. Em primeiro lugar discute - se aspectos referentes à crise e as mudanças ocorridas no capitalismo durante os anos 70 e 80 e que estão associadas à crise do modelo Keynesiano-Fordista e ao surgimento do modelo de acumulação flexível. O segundotópico trata do perfil de trabalhador exigido a partir da reestruturação produtiva das últimas décadas e as novas exigências de qualificação profissional. Finalmente, no terceiro e último tópico discute-se o processo de reestruturação produtiva no Brasil e os seus desdobramentos no âmbito da redefinição do perfil de qualificação profissional e na reestruturação das políticas públicas voltadas para aeducação profissional e que foram implantadas nos anos 90 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. 2. Mudanças no capitalismo: crise do modelo Keynesiano-fordista Até meados dos anos 60 o modelo Keynesiano-Fordista vigorou plenamente estável nos EUA e países aliados da Europa Ocidental. No entanto, segundo Harvey (1992) e Antunes, (1999) o final da década de 1960 marcou o início da crise dehegemonia deste modelo em decorrência do aumento da demanda de produção por parte dos países da Europa Ocidental e do Japão. Estas regiões centrais do capitalismo experimentaram

modernizações em seus parques industriais e passaram a oferecer produtos (gêneros manufaturados) a preços e custos mais competitivos pressionando a demanda em nível mundial. Assim é descrito este novo cenário:

Emprimeiro lugar, o grande deslocamento do capital para as finanças foi a conseqüência da incapacidade da economia real, especialmente das indústrias de transformação, de proporcionar uma taxa de lucro adequada. Assim, o surgimento de excesso de capacidade e de produção, acarretando perda de lucratividade nas indústrias de transformação a partir do final da década de 1960, foi a raiz do crescimento...
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