Funcionamento mental dinheiro e trabalho

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FUNCIONAMENTO MENTAL, DINHEIRO E TRABALHO[1]

VERA RITA DE MELLO FERREIRA

RESUMO: Um breve sumário das idéias contidas no livro "O Componente Emocional – funcionamento mental e ilusão à luz das transformações econômicas no Brasil desde 1985", é apresentado, traçando a trajetória que parte da experiência clínica do psicanalista, e chega num trabalho acadêmico de observaçãodos fatores emocionais que envolvem a relação com mudanças econômicas, dinheiro, e suas repercussões na administração da vida profissional. O texto procura reunir subsídios para sustentar uma afirmação como a de psicólogos econômicos ingleses, segundo os quais 'a economia é um assunto sério demais para ser deixado a cargo somente de economistas'[2], e apresenta a contribuição específica que opsicanalista poderia oferecer. Idéias da Psicanálise, da Filosofia da Ciência, e dos chamados 'novos paradigmas' que se propõem a examinar a realidade são apontadas, enquanto o enfoque prático desse embasamento, sob a forma de uma consultoria, é descrito como alternativa de transformação de aspectos da realidade interna que se refletem na realidade externa. O ponto central é situado na capacidade paratolerar os aspectos insatisfatórios da realidade, e chegar a pensar em como transformá-los, ou, não se dispondo dessa condição, permanecer na ilusão.

PALAVRAS-CHAVE: administração; alucinação; análise; capacidade de pensar; consultoria; dinheiro; emoção; frustração; ilusão; inflação; impulso de morte; observação clínica; pensamento; percepção; Plano Real; princípio do prazer; princípio darealidade; realidade psíquica; satisfação; tensão; teste da realidade; trabalho; transformação.

O INÍCIO

Ao longo dos últimos 5 anos, procurei desenvolver um estudo que pudesse contemplar algumas questões que já de há muito vinham chamando minha atenção.

Como sempre acontece com um psicanalista, é a experiência que ‘levanta a lebre’ – no meu caso, foi a observação clínica daquilo queparecia se dar em muitos casos no consultório, com relação aos fatores econômicos. Este terreno, relacionado a dinheiro e vida profissional, muitas vezes dava os primeiros sinais de uma evolução ao longo da análise.

Ao lado disso, vivíamos no país o período de grande turbulência econômica devido à inflação, e assistíamos aos sucessivos planos e pacotes que procuravam dar cabo dela. Durante muitosanos, foi tudo em vão.

Com essas idéias na cabeça, e depois de ter passado um período de pesquisa no CAPS da rua Itapeva, onde, ao lado de Carlos Videira, coordenava um grupo de pacientes psicóticos, que resultou num pequeno artigo, resolvi buscar uma maior sistematização do meu pensamento, de modo que pudesse articular melhor todas essas observações.

Foi assim que cheguei aodepartamento de Psicologia Social do Trabalho, na USP, para fazer um mestrado, que concluí neste ano de 1999.

A BAGAGEM

Os instrumentos psicanalíticos que selecionei para me auxiliar a realizar esse estudo poderiam ser agrupados em torno de alguns conceitos principais, que enumero a seguir.

Em primeiro lugar, a teoria dos dois princípios do funcionamento mental estabelecida por Freud, que semostra tão útil para começar a entrar em contato com a maneira como operamos psiquicamente – princípio do prazer, e princípio da realidade, com todas as decorrências de cada um deles, onde se pode salientar, em especial, se os ‘produtos mentais’ vão se filiar ao ramo das alucinações, no primeiro caso, ou se serão pensamentos, com maior aproximação com a realidade, no segundo caso.

De formaresumida, podemos dizer que ambos os princípios possuem o mesmo objetivo – obter prazer, e evitar desprazer. No entanto, a diferença fundamental entre eles se situa na maneira como o fazem.

A regra para o princípio do prazer é da imediatez – o estado de tensão precisa ser desfeito imediatamente, sem levar em consideração as circunstâncias ou conseqüências.

É como se houvesse uma espécie...
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