Fugir, morrer ou matar: um retrato da luta dos escravos pela liberdade no paraná (1868)

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  • Publicado : 15 de novembro de 2012
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EU SÓ TENHO TRÊS OPÇÕES: FUGIR, MORRER OU MATAR - UM RETRATO DA LUTA DOS ESCRAVOS PELA LIBERDADE NO PARANÁ (1868)


RESUMO
O estudo focaliza o anseio do negro pela liberdade diante de maus tratos, torturas e punições aos quais eram submetidos, tem como objetivo explanar sobre o contexto histórico da escravidão e analisar o crime de filicídio da escrava Ignácia registrado em um processo noArquivo Público do Paraná. A metodologia utilizada foi pesquisa bibliográfica com análise documental e os resultados demonstraram de forma abrangente os conflitos, sentimentos e desfechos decorrentes do processo escravagista.

Palavras-chave: Escravos. Crimes. Liberdade.

1 INTRODUÇÃO

Sabemos que medos incertezas, revoltas e principalmente insatisfações permearam a vida do negro durante aescravidão, e cada qual com a sua tentativa de tornar mais brando e suportável seu suplício, porém, isso às vezes trazia consequências trágicas.
O presente artigo tenciona apresentar uma abordagem panorâmica da escravidão e paralelamente analisar o crime de filicídio da escrava Ignácia, ocorrido na Província do Paraná no ano de 1868, fato que ilustra fielmente a extensão das reações das vítimasda escravidão diante do cenário de repressão a que se viam sujeitas. Para compreender a conjuntura, levantamos as seguintes questões: Qual o motivo levou a escrava a cometer o crime de filicídio? Qual a consequência do crime para a escrava?
Para compreender melhor essa sequência de acontecimentos, buscamos alguns autores como Ferrarini, que focaliza a escravidão negra no Paraná, espaço ondeocorreu o crime em questão, Graf, que relata a realidade social dos escravos do Paraná através de periódicos, Slenes, que apresenta um trabalho completo e minucioso sobre a família escrava e Gorender, tratando de assuntos pertinentes à escravidão de maneira geral.
Ao buscar documentos amarelados e empoeirados fazemos emergir os gritos das vítimas em meio ao silêncio e apesar do trabalho do historiadorser árduo e minucioso, seria imprudente deixar de ler, reler, relatar e até tentar compreender um crime tão expressivo e com significados tão peculiares ao processo escravagista.











2 UM RETRATO DA LUTA DOS ESCRAVOS PELA LIBERDADE

A escravidão foi vista como uma espécie de progresso nos povos da antiguidade, pois poupava a vida do prisioneiro, o qual, o vencedor se achavano direito de matar. Assim surgiu a prática de escravizar, evidenciando o domínio dos mais fortes sobre os mais fracos.
No Brasil, a escravidão originou-se na perseguição aos gentios, mais tarde, passando a ser uma fonte de renda, reconhecia-se o poder aquisitivo de um fazendeiro pela quantidade de escravos, estes eram considerados meras propriedades. Eram capturados e trazidos em naviosnegreiros, em condições desumanas, porém, mal sabiam que seu suplício estava apenas começando, quando chegavam vivos, ao desembarcarem nos mercados como o famoso mercado do Valongo no Rio de Janeiro, eram tratados como mercadorias, os compradores examinavam minuciosamente a peça a ser comprada que ali ficavam expostas durante dias. Em volta dos espectadores deste sofrimento, apresentava-se uma paisagemabominável: o mosaico de olhos que deixavam transparecer a dor constantemente sufocada pela repressão.
Neste processo de sequestro forçado, foram despojados de seu legado e além do sentimento de desterritorialização e desaculturação, houve uma redefinição histórico-cultural de reconhecimento, onde os negros foram submetidos à compreensão de mundo dos brancos que, de maneira geral, não foiassimilada devido à brutalidade e violência a que eram submetidos no cativeiro.
Nas fazendas ou nas minas, os escravos eram maltratados trabalhavam muito e recebiam apenas trapos de roupa, além de uma alimentação de péssima qualidade. Dormiam nas senzalas (galpões escuros, úmidos e com pouca higiene), muitas vezes acorrentados para evitar fugas, eram constantemente torturados, punidos e submetidos às...
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