FRIDA

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  • Publicado : 1 de dezembro de 2014
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Recentemente assisti ao filme “Frida”, que conta a vida da pintora mexicana Frida Kahlo com seu mentor e marido Diego Rivera.
Frida Kahlo é interpretada pela atriz Salma Hayek e Diego Rivera pelo ator Alfred Molina.
O filme é magnífico.

As semelhanças entre o casal de atores e o casal - na vida real- são impressionantes.
Essa composição me fascina: como encontraram uma mulher tão parecidacom Frida, e um homem tão parecido com Diego?
As sobrancelhas de Frida marcam o rosto de forma quase caricata, na tela e na vida. Os olhos caídos de Diego revelam a sua marca registrada: o desamparo e a fragilidade estampada na cara gorda, escondendo – de forma quase perfeita - um espírito indomável, na tela e na vida.

Diego era desses homens cuja aparência subestima o conteúdo e Frida eradessas mulheres que parecem absolutamente óbvias, mas escondem mistérios.
Teriam nascido um para o outro? Se observarmos as afinidades mentais, sim. Se observarmos os sofrimentos que ambos se infligiram, não.
Escolhas próximas da perfeição só se compararmos as fotos obtidas no Google com as fotos dos artistas que estrelaram o filme. Parecem feitos um para o outro: os personagens na vida real e aspessoas que lhes emprestaram vida na tela: Impressionante!

A canção tema é belíssima. Vejo na capa do DVD que foi interpretada por Caetano Veloso.
Sinceramente? Não registrei a voz. Passou batido esse fato. Não sou boa observadora de escalas e de vozes.
Sei quando um filme entra em mim: é quando não consigo dormir depois que a tela apaga.
Sei quando estou diante de uma personalidade quemarcou, não apenas pelo papel social que desempenhou, mas pelo ser a quem deu vida.
Em certo sentido, emprestamos a nossa interpretação de vida ao ser que recebeu um corpo – o nosso - a quem foi dado um nome: o nosso.
Somos um espírito que habita um corpo. É o espírito quem determina o que somos e o que fazemos com esse corpo.
Mas também somos seres humanos que vivem vidas humanas: vidas mais oumenos vividas, em importância de intensidade, segundo a decisão que cada espírito toma de se deixar viver com maior ou menor dor. A nossa interpretação de vida é conferida pela alma.
Quem vive com intensidade, sofre mais. Quem apenas vive, sofre menos.
O termômetro que mede a dor marca uma pontuação menor quando a auto proteção fala mais alto, e o medo se instala.
Frida viveu uma vida maisvivida do que a média da humanidade.
Sofreu mais.
Sofreu demais.
Não tenho a intenção de compor uma resenha porque não saberia como resenhar sem contar o começo, o meio, e o fim do filme.
Uma resenha é bem feita quando consegue aguçar a vontade de ver o filme e leva o leitor correndo para o cinema. A minha resenha faria justamente o contrário: ninguém se interessaria por um filme cuja históriatenha sido revelada, em poucas linhas.
O que sei fazer é ler nas entrelinhas. Adivinhar tempestades que se dissipam por fora, mas conservam a tensão.
O modo de dentro.
Detectar fenômenos subjetivos devastadores e traduzir o que os desatentos não conseguem captar.
Sei o que o protagonista soube antes de virar personagem de filme e ter a vida esmiuçada.
Sei ou penso saber: combinar o que sei e oque sinto, com o que as pessoas que pensam, sentem.
Frida é uma pessoa que sei ou penso saber. O que sei se mistura com o que penso. Não terei a preocupação de separar o que penso do que sei sobre Frida e sobre a vida.
A minha vida. E a vida dela.
O desafio é falar sobre ela. Não sobre os fatos que impactaram a sua vida, mas a maneira como a repercussão desses fatos produziram a mulherintensa que passou por aqui e foi embora com seu espírito.
Largando a casca.
Vou logo avisando que não sei fazer isso, sem colocar Deus como o diretor dessas cenas.
Vejo Deus na vida de Frida Kahlo. Mesmo na vida devassa de Frida Kahlo.
Devassa é um julgamento meu.
Devassa é coisa da minha cabeça moralista.
Devassa é quando uma pessoa não se encaixa dentro dos padrões “normais” de moralidade....
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