Freud x marx

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"Tal homem, tal Estado." (Platão)

Introdução

O objetivo desse trabalho é investigar como foi possível, num determinado período da história, pensar na aproximação teórica entre duas vertentes distintas de pensamento: a psicanálise e o marxismo.

Pensar na articulação entre esses dois saberes é, em última análise, aceitar a concepção de que instrínseca aos problemas políticos se encontra anatureza do homem. Os Estados se compõem das naturezas humanas que neles existem, ou seja, o Estado é o que é porque os seus cidadãos são o que são.(2)

O problema político aparece, então, como resultante do problema psicológico. Podemos tomar como exemplo disso as teses contratualistas e suas investigações acerca da natureza, objetivos e finalidades do contrato. Se o contrato tem como funçãogarantir a vida (Hobbes) ou a propriedade (Locke), fica implícito, dessa forma, que a solução política tenha como objetivo principal dar conta do problema da natureza humana: ?de modo que na natureza do homem encontramos três causas principais de discórdia. Primeiro a competição, segundo a desconfiança, e terceiro a glória (3).

Dentro desta visão o Estado surge como poder comum capaz de mantertodos em respeito. O entrecruzamento entre poder político e natureza humana delimita um vasto campo de investigação. Dentro das inúmeras possibilidades passíveis de serem exploradas mediante esta articulação, privilegiaremos a corrente chamada freudo-marxista, ou seja, o modo pelo qual se pôde pensar num denominador comum entre as idéias de Freud e as concepções de Marx. No entanto, não se trataaqui de uma defesa do freudo-marximso, o objetivo principal não é comprovar uma hipótese, mas localizar, destrinchar um problema para que, posteriormente, se tenha dados suficientemente seguros para uma análise calcada no rigor crítico. Para tal, vale apenas situar historicamente os textos e os autores ligados a esta concepção teórica.

O pensamento freudo-marxista encontra seu principalrepresentante em Wilhelm Reich, médico, psicanalista, discípulo direto de Freud, com quem trabalhou praticamente toda a década de 1920. Paralelo a sua atuação clínica, Reich viajou diversas vezes à União Soviética e, posteriormente, em 1930, filiou-se ao partido comunista alemão. Em Berlim, fundou a Associação Alemã de Política Sexual Proletária - Sexpol, que rapidamente se expandiu por toda a Alemanha.Reich trabalhou intensamente junto com a juventude comunista, visando conciliar as descobertas do jovem Freud com a práxis revolucionária, para torná-las úteis ao proletariado, ou seja, para que permitissem a emancipação econômica, política e sexual do proletariado.

Para melhor compreensão deste texto, bem como das idéias freudo-marxistas, convém situá-los no contexto sociopolítico correspondenteao seu surgimento, isto é, a década de 1930, e sua conjuntura teórico-política determinada pela ascensão do Fascismo e a afirmação teórica da psicanálise, caso contrário, o texto pareceria em certos aspectos ultrapassado.

Um dos principais objetivos de Reich é mostrar que a teoria psicanalítica articulada com o materialismo dialético era susceptível de fornecer ao marxismo elementos materiais,reais.

Outra grande referência dessa vertente de pensamento é a obra de Herbert Marcuse, na qual ele desenvolve uma teoria crítica da sociedade a partir da dialética entre prazer e realidade, cultura e psiquismo, temas amplamente desenvolvidos por Freud e resgatados por Marcuse numa conextualização sociológica da psicanálise.

Libido e alienação

Para entender como se fez possível pensarnuma ponte teórica entre Freud e Marx, faz-se necessário o destrinchamento de dois conceitos fundamentais na psicanálise, o conceito de libido e o conceito de sublimação.

Freud considera que o organismo garante sua preservação e funcionamento por meio de impulsos destinados a buscar, na realidade, objetos que possam satisfazer suas necessidades. A esses impulsos ele denominou pulsão, ou seja,...
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