Frei luis de sousa

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  • Publicado : 24 de fevereiro de 2013
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ACTO I
– Encontramos um ambiente de luxo, de opulência e de requinte, com um certo ar exótico (xarões, vaso da China). Este espaço está relacionado com a ação e com as personagens. O espaço, embora interior, permite a comunicação com o exterior, através de duas janelas rasgadas, que deixam ver o eirado e o rio Tejo. Através das janelas, entra também a claridade. Temos pois um espaço cheio deluminosidade e colorido, o que sugere alegria, leveza. É neste espaço que Manuel e Madalena vivem felizes o seu amor. O espaço revela igualmente traços do carácter das personagens que nele se inserem. O luxo, a opulência, o requinte remetem para personagens que valorizam o bem-estar físico, os bens materiais. Os livros refletem preocupações eruditas, mas são também um «alimento» para as almas maisfantasiosas, alimentando sonhos e devaneios.

ACTO II
– O requinte e a elegância deram lugar à melancolia e à austeridade. O espaço torna-se muito fechado – não há janelas e as portas e a varanda estão tapadas por reposteiros. Não há contacto com o exterior, nem entra a claridade. O ambiente é escuro, pesado e triste. Parece que «grades invisíveis» se formaram à volta da família, conduzindo-ainevitavelmente para um fim trágico. Mesmo que tentem fugir, tal não é possível. Por essa razão, Madalena não queria regressar à sua anterior casa, à casa que pertenceu a D. João de Portugal; tal seria como regressar para os seus «braços». Seria uma ameaça ao seu amor e à sua felicidade. O cenário deste ato adequa-se ao carácter de D. João de Portugal, também ele inflexível, austero, deprincípios rígidos e melancólico.

ACTO III
– A austeridade é total. O espaço fechou-se completamente. Todos os objetos remetem para o fim das personagens: a tomada do hábito e a morte (física epsicológica). O espaço não apresenta um único objeto que remeta para uma vida terrena ,material. O «despir» do espaço também tem a ver com o despojamento dos bens materiais –Manuel e Madalena têm que deixar tudoo que os ligava a uma vida terrena, material, de felicidade. É como se «morressem» para a vida; nem a tumba falta no cenário. As porcelanas ,os xarões, as sedas, os veludos, a prata são substituídos por algodão, madeira e chumbo. É o peso de uma vida de resignação, de sacrifícios que se abate sobre eles. Nem Maria é poupada ,morrendo em cena. A cruz de madeira, ainda por cima negra, remete para ocalvário e a morte de Cristo. Também as personagens «morrem» e também elas têm de percorrer a sua «viadolorosa» (Manuel e Madalena). Ao mesmo tempo, este calvário, forçosamente percorrido por elas, funciona como uma espécie de expiação dos pecados, de purificação, encontrando-se em Deus a salvação das almas. Tomarem o hábito era a única atitude digna que poderiam ter tomado. Ou era isso, ou eraviverem para sempre em pecado, o que implicava a perdição das suas almas

ESTRUTURA EXTERNA:
Ato I –12cenas

Cenas I – IV – informação sobre o passado das personagens;

Cenas V – VIII – preparação da ação: decisão dos governadores e decisão de incendiar o palácio;

Cenas IX – XII – ação: incêndio do palácio.

Ato II –15 cenas

Cenas I – IV – informações sobre o que se passou depoisdo incêndio;
 

Cenas IV – VIII – preparação da ação: ida de Manuel de Sousa Coutinho a Lisboa;

Cenas IX – XV – ação: chegada do romeiro.

Ato III –12 cenas

Cena I – informações sobre solução adotada;

Cenas II – IX – preparação do desenlace;

Cenas X – XII – desenlace

Personagens caracterização :
* D. Madalena de Vilhena
D. Madalena é nobre: «sangue de Vilhenas»; o epíteto«dona» só se dava, no século XVII, às senhoras da aristocracia. O seu nome evoca a figura bíblica da «pecadora», da Madalena adultera que tentou seduzir Cristo e que depois foi Santa Madalena. Também Madalena de Vilhena foi atingida pela mácula do «adultério», embora este não se apresente com as características pecaminosas e grosseiras, que lhe costumam ser peculiares. Se Madalena pecou, fê-lo...
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