Formação continuada de proofessores da educação básica

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EDUCAÇÃO E CULTURA: APRENDER A VIVER JUNTOS PARA RECONHECER A DIFERENÇA

Mirian de Albuquerque Aquino1
Procurar acolher o outro como outro e o estrangeiro como estrangeiro; acolher outrem, pois, em sua irredutível diferença, em sua estrangeiridade infinita, uma estrangeiridade tal que apenas uma descontinuidade essencial pode conservar a afirmação que lhe é própria (Banclot, 1969).

Éverdade que o homem moderno depara-se com um assombroso e contínuo movimento de pessoas indo de uma parte à outra em busca de um tempo e espaço ilusório que lhe proporcione, pelo menos superficialmente, uma certeza de que a sociedade, da qual faz parte, sofrerá alterações profundas e suas necessidades existenciais e materiais serão satisfeitas. Sem dúvida, vivemos um tempo de busca de pertenças,enraizamento e solidariedade, mas também um tempo de muitas incertezas. Esse eterno devir retrata a sociedade atual, com sua economia, global e informacional, caracterizada pela dispersão de etnias, raças e classes, as quais são, abruptamente, deslocadas de suas culturas, tradições, diferenças políticas, religiosas e estilos de vida, para se juntarem a outras sociedades que, por sua vez, ao sentirema presença de estranhos, tentam hostilizá-los, lutando na defesa de suas identidades e particularidades violadas. Cada dia somam-se nações e minorias que se insurgem para impor sua identidade, expressar sua cultura e sua diferença. A diáspora contemporânea concretiza-se como um desafio para governos, cidades, partidos políticos e economias nacionais, pois que desestabiliza as culturas locais esuas diferentes formas de ambição, conhecimento e poder. Essa longa marcha cotidiana, resultante do processo de globalização, vai ruindo a tradicional ordem que, ao se fechar em si mesma, deixa de compreender o sentido de que é fundamental acolhermos os iguais e diferentes de nós. Um dos problemas cruciais que enfrentamos no mundo de hoje, é o de aprender a viver com outros indivíduos queconsideramos diferentes. Dividir nossos sentimentos e

Professora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba e Doutora em Educação

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2 pertences com aqueles que constituem uma ameaça a aparente estabilidade social, econômica, política e cultural que circunscreve a nossa realidade, é temeroso. Na contemporaneidade,a diversidade cultural constitui um problema grave, assemelhando-se àqueles relacionados à desigualdade na distribuição da riqueza e de oportunidades nas sociedades e diferentes nações. A pluralidade de culturas atinge o cerne do que somos e do que valorizamos ou a maneira como encaramos o pouco ou o muito que temos. Ela também “suscita os problemas pelos quais as pessoas hão de sacrificar a vidaou tirar a dos outros”, por sentir-se invadido por diversos modos de viver (ZOHAR, 2000). Na visão de Zohar, é possível lançar mão de três estratégias comumente utilizadas para lidar com as diferenças que perturbam as relações entre os seres humanos. A primeira estratégia consiste na dominação, a qual implica tentar impor a capitulação ou assimilação: morrer, ser escravizado ou adotar nossamaneira de ser. O que ocorre aqui, na verdade, é uma total eliminação das diferenças, um processo de colonização em que os dominadores tentam impor sua concepção de mundo aos dominados, forçando-os a desprender de sua cultura de origem para aderir aos valores culturais dissociados de sua realidade. A segunda estratégia consiste num “apartheid” construído para excluir o outro, erguendo uma barreira nanossa cultura e colocando-o fora dos meios de consumo, dos bens e dos serviços. Na África do Sul, este processo de segregação constituiu-se a forma mais cruel de dominação e separou, violentamente, os diferentes e indesejáveis à sociedade, privando-os dos direitos políticos e sociais. Apartar significa um processo pelo qual denomina-se o outro como um ser à parte, estigmatizando-o como desigual,...
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