Fitas de cetim, papel crepom, flores de plástico... será um o benedito?

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  • Publicado : 29 de novembro de 2012
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Fitas de cetim, papel crepom, flores de plástico: Será um o Benedito?
Autor: Eduardo Wagner Nunes Chagas
Mestrando em Artes
Programa de Pós-Graduação em Artes – UFPA
E-mail: duducaz@hotmail.com
Resumo: Este trabalho apresenta de forma sintética o que a pesquisa desenvolvida para a elaboração da dissertação de mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Artes daUFPA, propõe desenvolver como uma descrição etnográfica das Festividades de São Benedito realizadas no bairro do Jurunas, em Belém do Pará, com o intuito de identificar na ambiência festiva carnavalizada – segundo Bakhtin (1987), as relações estéticas estabelecidas em uma comunidade oriunda de formação antropológica diversificada. Em meio a esta ambiência em que as Festividades são realizadas, surgemcontrastes sociais materiais onde a falta de saneamento do canal que caracteriza a Rua dos Timbiras no Jurunas divide a atenção com o colorido de fitas de cetim, andores decorados com cristais e forros de barrocões adornados com papel crepom. Em uma enorme complexidade ritual as festividades possuem personagens únicos que incrementam a singularidade de sua apresentação estética, tanto no caráterplástico quanto no que poder-se-ia classificar como performático. A pesquisa é realizada por meio da visitação aos locais foco e registros fotográficos dos eventos, além de entrevistas e contínua permanência do pesquisador no dia a dia do processo de preparação das festividades e no período de sua realização (julho/agosto), nos anos de 2008 a 2011.
Palavras-chave: Espetacularidade. Festa.Carnavalização.

O primeiro passo para apresentar as Festividades de São Benedito como objeto de estudo ou pesquisa para uma dissertação de mestrado, tendo como tema ou foco sua estruturação estética, é compreender que a complexidade ritual dos eventos é vasta e que mesmo uma dissertação não é suficiente para descrever todos os olhares que este objeto pode desperta em um pesquisador de modopormenorizado.
O bairro do Jurunas, em Belém do Pará, é amplamente conhecido por dois aspectos principais: a marginalidade e a festividade. Marginalidade diz respeito aos índices de criminalidade no bairro, os quais não convém a este trabalho esmiuçar; festividade, porém, refere-se ao caráter extremamente festivo que o bairro apresenta ao resto da cidade – e aqui poder-se-ia compreender, em uma análiseoutra, “festivo” como “carnavalizado” no sentido usado por Bakhtin (1987), onde o espírito de festa é maior que o sentido de estar na festa.
O caráter festivo do bairro do Jurunas diz respeito às inúmeras manifestações surgidas e realizadas no bairro, as quais movimentam a comunidade local e fazem parte da formação identitária do que se chama de “nação jurunense” (RODRIGUES, 2008).
A nação jurunenseé a comunidade que vive no bairro, o grupo de pessoas que vive em seu dia a dia as festividades do bairro, tais como as festas e ensaios de bateria na sede do Rancho Não Posso Me Amofiná – escola de samba mais antiga da cidade de Belém, fundada em 1934; ou nos festejos sincréticos que são realizados nos diversos terreiros de umbanda espalhados pelo bairro; ou ainda nas festividades católicas aossantos, com suas procissões, ladainhas, missas; ou, quem sabe, nos cultos das muitas igrejas protestantes, ou na apresentação de alguma das muitas quadrilhas roceiras do bairro no mês de junho.
Em síntese, o bairro do Jurunas vive em festa, de certa forma, apesar do saneamento precário e da tal criminalidade em alta. Esta forma carnavalizada de viver cria e transmite a todos os moradores,possivelmente, a noção de “nação jurunense”.
É em meio a esta talvez barafunda de festas, festejos e pessoas que estão as Festividades de São Benedito, dedicadas a festejar, agradecer e pedir mais bênçãos ao Santo negro, que é sincretizado com o Vodum To Averequete – encantaria africana cultuada também no Brasil.
São duas as festividades: a realizada pelo Centro Comunitário da Rua dos Timbiras, desde...
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