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Revista Brasileira de Ensino de F´
ısica, v. 33, n. 1, 1504 (2011)
www.sbfisica.org.br

Princ´ antr´pico cosmol´gico
ıpio
o
o
(The anthropic cosmological principle)

V.S. Comitti1
Departamento de F´
ısica, Instituto de Ciˆncias Exatas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil
e
Recebido em 15/10/2009; Aceito em 25/0/2010; Publicado em 28/3/2011
Apresento umbreve sum´rio das origens, aplica¸oes e cr´
a

ıticas do princ´
ıpio antr´pico. Come¸o com os
o
c
primeiros argumentos de Robert Dicke em favor do pensamento antr´pico, continuo pelas formula¸oes de Brano

don Carter e as extrapola¸oes de John Barrow e Frank Tipler. No final analiso algumas das consequˆncias

e
mais importantes do princ´
ıpio antr´pico em cosmologia e mecˆnicaquˆntica. H´ ainda uma se¸ao dedicada `s
o
a
a
a

a
poss´
ıveis refuta¸oes do princ´

ıpio antr´pico.
o
Palavras-chave: cosmologia, pr´
ıncipio antr´pico.
o
I present a brief summary of the origins, applications and criticisms of the anthropic principle. I start with
Robert Dicke’s first arguments in favor of anthropic reasoning, continue through the formulations of Brandon
Carterand the extrapolations of John Barrow and Frank Tipler. In the end I analyse some of the most important
consequences of the anthropic principle in cosmology and quantum mechanics. There is also a section dedicated
to possible refutations of the anthropic principle.
Keywords: cosmology, anthropic principle.

1. Introdu¸˜o
ca
Por muito tempo o pensamento humano foi dominado
pelo que ficouconhecido como princ´
ıpio autocˆntrico:
e
a cren¸a de que o homem ocupa uma posi¸˜o central no
c
ca
universo. Foi Cop´rnico, no s´culo XVI, quem tirou os
e
e
humanos dessa posi¸˜o privilegiada ao postular que a
ca
Terra n˜o ocupa uma posi¸˜o espacialmente favor´vel
a
ca
a
no cosmo. Uma extens˜o mais recente do princ´
a
ıpio de
Cop´rnico ´ o princ´ cosmol´gico perfeito que diz quee
e
ıpio
o
o universo deve ser homogˆneo e isotr´pico em grandes
e
o
escalas, no espa¸o e no tempo. Uma consequˆncia imec
e
diata dessa proposi¸˜o ´ que a Terra n˜o pode ser esca e
a
pecial de nenhuma maneira.
O princ´
ıpio antr´pico (PA) apareceu como uma
o
maneira de condensar essas duas posi¸˜es extremas co
o princ´
ıpio autocˆntrico e o princ´
e
ıpio cosmol´gico - em
o
umprinc´
ıpio conciliador que trata o fato da nossa existˆncia como uma explica¸˜o v´lida em f´
e
ca a
ısica.
O primeiro autor a usar um argumento baseado no
PA, ainda que este ainda n˜o houvesse sido definido
a
como tal, foi o f´
ısico norte-americano Robert Dicke,
num artigo de 1961 [1]. Dicke notou que o tempo
de Hubble T - uma estimativa da idade do universo
baseada no modelo padr˜oda cosmologia -, n˜o podea
a
ria assumir um valor aleat´rio. Um limite m´
o
ınimo para
o valor de T seria estabelecido pelo tempo necess´rio
a
1 E-mail:

victorsch2@gmail.com.

Copyright by the Sociedade Brasileira de F´
ısica. Printed in Brazil.

para que elementos mais pesados que o hidrogˆnio fose
sem sintetizados nas estrelas. O limite m´ximo seria
a
determinado pelanecessidade da existˆncia de um ame
biente hospitaleiro que reunisse as condi¸˜es necess´rias
co
a
para que o ser humano pudesse existir. Esse limite superior ´ definido pela idade m´xima que uma estrela
e
a
capaz de gerar energia por rea¸˜es nucleares pode ter.
co
O princ´
ıpio antr´pico s´ foi definido formalmente
o
o
pelo astrof´
ısico norte-americano Brandon Carter em
1974 [2]. Carterenunciou o princ´
ıpio em duas vers˜es:
o
a fraca e a forte. De acordo com a vers˜o fraca, nas
a
palavras dele, “devemos estar preparados para levar
em conta o fato de que a nossa posi¸˜o no universo
ca
´ necessariamente privilegiada de alguma forma, de
e
maneira a ser compat´
ıvel com nossa existˆncia como
e
observadores”. J´ a vers˜o forte, tamb´m nas palavras
a
a
e
de Carter, diz...
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