Filosofia

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  • Publicado : 10 de outubro de 2011
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Logo na introdução da obra Crítica da Razão Pura, na seção que trata “da distinção entre juízos analíticos e sintéticos” Kant deixa claro que só dispomos de duas maneiras de articular a relação entre um sujeito com um predicado: ou o predicado B pertence ao sujeito A como algo contido (ocultamente) nesse conceito A, ou B jaz completamente fora do conceito A, embora esteja em conexão com o mesmo.O filósofo se utiliza desse duplo modo de estabelecer a relação entre sujeito e predicado, para classificar de uma forma simples aquilo que ele denomina de juízo analítico e juízo sintético. O primeiro exemplo revela o modo de constituição do juízo analítico, já o segundo exemplo caracteriza o tipo de juízo sintético. No entanto, duas coisas ainda devem ser colocadas em questão: em que consiste umjuízo para Kant; e, de que modo o juízo se articula com a verdade.

Na obra Manual dos cursos de Lógica, na página 201, Kant define o juízo da seguinte forma: Um juízo é uma representação da unidade da consciência de diversas representações ou a representação da relação entre elas, na medida em que constituem um conceito. Percebemos de imediato que Kant apresenta uma definição formal do juízovisando, com isso, realizar uma articulação direta do juízo com o conceito. Um pouco mais à frente entenderemos as razões de Kant. Ora, se o juízo é uma representação da unidade da consciência, então não podemos deixar de observar no juízo duas coisas fundamentais que compõem esse tipo de representação: uma forma e uma matéria. Segundo Kant a primeira é uma espécie de determinação do modo como asrepresentações diversas pertencem, enquanto tais, a uma consciência; por outro lado, a matéria são os conhecimentos dados que se ligam ao juízo para a unidade da consciência.

Notamos com isso que o filósofo se preocupa com uma tentativa de descrição formal dos componentes do juízo com vistas a preparação de uma semântica que possa garantir de uma maneira substancial a distinção entre os juízossintéticos e analíticos, conforme iniciamos acima. O ideal aqui seria fazer uma análise criteriosa da “Crítica da faculdade do juízo” para, a partir dela, mergulhar com contumácia nos meandros da teoria semântica kantiana, no entanto, como a nossa pretensão aqui se resume em estabelecer a diferença entre os juízos analíticos e juízos sintéticos, numa relação direta com aquilo que Kant denomina deproposição e de verdade, já que é essa a nossa “empreitada” no presente curso. Assim, retomarei de forma breve as passagens da obra do filósofo que possam nos instruir na direção de elucidação da relação entre proposição e verdade. Volto assim ao problema do juízo. Coloquemos as coisas nos seus devidos lugares.

O primeiro fato a ser constatado é o seguinte: o método kantiano denomina-se dereflexivo, justamente, por se lançar sobre os conhecimentos racionais que nós possuímos, isso significa que Kant busca dar conta daquilo que constitui a razão na sua natureza mais íntima. A reflexão seria, então, o movimento pelo qual o sujeito, a partir de suas próprias operações, se volta sobre si mesmo, daí a ligação da reflexão com a idéia de crítica. Eis aqui o problema da metafísica: esse tipo desaber visa precisamente determinar certos objetos de forma totalmente a priori, exatamente como fazem as ciências. A revelação de Kant nos assusta e nos deprime enquanto estudiosos de filosofia: por que a metafísica fracassou onde a matemática e a física tiveram êxito? Não temos aqui, agora, a pretensão de esgotar esse assunto. Nos interessa então perguntar o seguinte: primeiro – “Como se explicaa existência de conhecimentos racionais e certos na matemática e na física?” segundo – é possível haver tais conhecimentos na metafísica?. Somente encontrando a resposta para a primeira pergunta podemos chegar numa resposta para a segunda questão, e, com isso, podemos nos situar no cerne do problema da distinção entre os juízos analíticos e sintéticos. Antes mesmo de falarmos do juízo uma...
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