Filosofia

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O MITO NA SOCIEDADE ATUAL

Maiquel José Seleprin* Resumo
O presente artigo partirá duma análise do que é o mito de como ele surgiu entre os povos  antigos. Abordaremos a presença do mito ao longo da história da Grécia antiga. Os mitos atuais, na  sua grande maioria,  não possuem uma  coerência entre  si. Dentro dessa  reflexão  analisaremos a ligação que o mito tem com a explicação da realidade e de como ele une determinados grupos, os  quais encontram no mito um ponto em comum e um retorno ao início, aos tempos primordiais. 

Palavras­chaves: Mito. Grécia. Atualidade. Sociedade.

1. OS MITOS E A SUA ORIGEM

Os mitos podem ser entendidos como representações de verdades profundas  da mente, e as uniões deles em conjunto, de acordo com suas origens, formam as diversas mitologias que conhecemos. A consciência humana afirma­se desde sua  origem como estrutura do universo. Na antiguidade, o mito reina sem rival, pois é um  tempo em que o mito não é reconhecido como tal. Analisaremos a evolução dos  mitos dentro da sociedade grega e de como ele se adapta à realidade e à cultura de  um determinado povo. Analisar a importância do mito na explicação do mundo grego é falar de como, aos poucos, ele foi se desligando da totalidade da realidade para se  tornar algo particular de determinada parcela da população. Ainda como parte da  reflexão, analisaremos a ligação do mito com a explicação da realidade e de como  ele une determinados grupos, os quais encontram no mito um ponto em comum.  Deve­se entender a 
linguagem do mito enquanto objeto de uma experiência numinosa (sagrada) arcaica.   Esta   experiência   da   linguagem   está  profunda   e  inextricavemente  ligada a uma certa concepção arcaica da linguagem, a uma certa concepção  arcaica de tempo, a uma concepção arcaica de Ser e de Verdade.1

 Graduando do curso de Licenciatura em Filosofia pela PUCPR.  HESIODO. Teogonia: a origem dos deuses, pg. 14. Itálico meu.
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O   mito   é   para   quem   o   vive,  uma   forma   de   realidade,   é   para   o   mundo  inteligível que dele nasce, uma totalidade indefinível. Configura o mundo em seus  momentos primordiais, relata uma história sagrada; propõe modelos e paradigmas  de comportamento; projeta o homem num tempo que precede o tempo; situa a  história e os empreendimentos humanos num espaço indimensionável, define os limites intransponíveis da consciência e as significações que instalam a existência  humana no  mundo. O mito  é uma forma de narrativa. Os mitos apresentam­se  como   possível   explicação   ou   interpretação   da   realidade   e   dos   acontecimentos.  Para quem vive o mito, ele é a única história verdadeira, proposta numa linguagem  acessível à gênese do mundo, das coisas e do homem. Os mitos reproduzem ou  repropõem  gestos   criadores   e   significativos,   que   permanecem   sustentando   a  realidade constituída.  A   realidade   mítica   é   sempre   cósmica,   porque   todas   as   coisas   propostas  constituem   um   cosmos.   Não   são   objetos   perdidos   num   todo   desordenado.   O  cosmos   mítico   não   é   opaco   e   fixo   em   sua   realidade   ontológica.   É   um   mundo  ordenado   e  vivo,   transparente,   harmonioso,   festivo,   mas,   acima   de   tudo,  profundamente coeso em sua unidade. O mundo real apresenta­se sempre como  uma totalidade. A realidade é uma só, em sua consistência final. O   sobrenatural   está   presente   na   natureza,   participando   na   constituição   dos  fenômenos vividos ou admirados. Isto não significa que os homens fechassem os  olhos  diante   da   realidade   e   dos   fenômenos   da   natureza.   Eles   percebiam   a  existência   de   fenômenos   naturais,   como   a   chuva,   a   tempestade,   a   maré,   a  vegetação,  a   seca,   a   umidade,   o   vivo   e   o   não­vivo,   e   percebiam   igualmente   a  relação que há na natureza, entre causa e efeito, bem como a diferença   entre ...
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